Em uma roda de samba descrita por um repórter cultural, um compositor de morro apresenta uma canção que ele mesmo parafraseia para o público. Na letra, o eu lírico descreve a vida de um trabalhador que acorda antes do sol, pega lotação cheia, atravessa a cidade grande e, no fim de semana, encontra na própria comunidade, na batucada e na roda de amigos, a alegria que o sustenta diante das dificuldades. O compositor explica que faz questão de falar do bairro, do botequim, do morro e da gente simples, porque acredita que o samba é uma forma de registrar e valorizar a vida do povo brasileiro. O repórter anota que a plateia, formada por moradores, se reconhece na história cantada e responde com palmas e coro. A cena mostra o samba funcionando como expressão de uma identidade coletiva. Diante do que foi descrito, qual é a principal função social do samba apresentado nessa roda?
AServir apenas como entretenimento de elite, sem qualquer ligação com o povo das comunidades.
BExpressar e valorizar a identidade e o cotidiano das comunidades populares brasileiras.
CEnsinar regras de etiqueta formal para frequentadores de salões de baile sofisticados.
DDivulgar produtos comerciais por meio de uma propaganda disfarçada de canção popular.
ESubstituir o noticiário oficial como única fonte de informação política do país.
Gabarito comentado
A música popular cumpre uma função social quando expressa e valoriza a identidade de um grupo, registrando seu cotidiano, suas dores e suas alegrias. No samba de raiz, falar do morro, do trabalhador e da comunidade reforça o pertencimento coletivo. Identificar essa função exige relacionar a letra ao público a que ela se dirige.
Resolução passo a passo
O texto mostra um compositor de morro que canta a rotina do trabalhador simples e afirma fazer questão de falar do bairro, do morro e da gente do povo, porque vê no samba uma forma de registrar e valorizar a vida brasileira. A plateia de moradores se reconhece na história, o que evidencia o samba como expressão de identidade coletiva: essa é a segunda alternativa. A primeira contraria o texto, já que o samba descrito está ligado ao povo das comunidades, não à elite. A terceira inventa uma função de etiqueta ausente do enunciado. A quarta reduz a canção a propaganda comercial, o que não aparece. A quinta exagera ao tratar o samba como substituto do noticiário, enquanto o texto fala em valorização cultural, não em informação jornalística.
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