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Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Num livro de literatura juvenil, o narrador descreve o antagonista da história com a seguinte frase: 'O velho avarento tinha um coração de pedra: nunca se comoveu com o choro de uma criança nem ajudou um vizinho em apuros.' O texto não afirma, é claro, que o órgão do personagem fosse literalmente feito de rocha. A expressão 'coração de pedra' compara, de forma figurada, a dureza emocional do homem à rigidez e à frieza de uma pedra, sugerindo que ele era insensível e incapaz de afeto. Esse tipo de construção transfere para uma pessoa uma qualidade de outro elemento, com base em uma semelhança imaginada entre os dois. O leitor entende imediatamente que se trata de uma imagem, e não de uma descrição real do corpo do personagem. Considerando o sentido construído, a expressão 'coração de pedra' é um exemplo de
Ametáfora, pois aproxima, em sentido figurado, a frieza do homem à dureza de uma pedra.
Beufemismo, pois suaviza uma palavra desagradável para amenizar a crueldade do personagem.
Cantítese, pois coloca lado a lado dois termos de significados opostos na mesma frase.
Dmetonímia, pois substitui o todo por uma de suas partes ao falar do personagem.
Eironia, pois afirma o contrário do que realmente se quer dizer sobre o avarento.

Gabarito comentado

A metáfora é uma comparação implícita: une dois elementos por uma semelhança imaginada, sem termos comparativos explícitos, transferindo uma característica de um para o outro. Distinguir metáfora de comparação, metonímia e antítese depende de perceber se há semelhança figurada, contiguidade ou oposição entre os termos envolvidos.

Resolução passo a passo

A expressão 'coração de pedra' aproxima, por semelhança, a insensibilidade do avarento à dureza de uma pedra, transferindo uma qualidade de um elemento para outro em sentido figurado. Essa comparação implícita, sem o uso de conectivos como 'igual a' ou 'feito', caracteriza a metáfora. O eufemismo suavizaria um termo penoso, o que não ocorre, já que a frase reforça a frieza do homem em vez de amenizá-la. A antítese exigiria a presença de palavras de sentidos contrários na mesma estrutura, ausente aqui. A metonímia substituiria um termo por outro com o qual mantém relação de contiguidade, como parte e todo, enquanto o texto faz comparação, não substituição. A ironia diria o oposto do pretendido, e o trecho diz exatamente o que quer: que o homem é insensível.

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