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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em uma conversa familiar, um adolescente comenta com os amigos, por mensagem, que um vídeo 'foi muito suave, mano, deu até um migué na hora, mas no fim valeu o crush'. A avó, lendo por cima do ombro, não entende quase nada: para ela, 'migué' e 'crush' são palavras sem sentido, e 'suave' deveria significar apenas 'macio' ou 'tranquilo'. O neto explica, rindo, que essas são gírias usadas pelo seu grupo de amigos, jovens que compartilham um mesmo vocabulário e se reconhecem por ele. Fora desse grupo, muita gente não capta as expressões. As gírias funcionam, assim, como uma marca de pertencimento a uma faixa etária e a um círculo social específico, e tendem a mudar rápido de uma geração para outra. Considerando esse uso das gírias como marca de um grupo, que tipo de variação linguística melhor explica o fenômeno descrito?
AVariação regional, porque as gírias pertencem exclusivamente a uma única região do país.
BVariação social, porque as gírias marcam o pertencimento a um grupo etário e social específico.
CVariação de canal, porque as gírias só existem na escrita digital, nunca na fala.
DVariação estilística, porque o jovem escolheu um registro mais formal para falar com os amigos.
EAusência de variação, porque toda a família compartilha exatamente o mesmo vocabulário.

Gabarito comentado

A variação social, ou diastrática, decorre de fatores como faixa etária, profissão, escolaridade e grupo de convívio. As gírias são um exemplo nítido: funcionam como senha de identidade de um grupo e renovam-se com rapidez. Reconhecê-las exige perceber quem usa a expressão e o que ela sinaliza.

Resolução passo a passo

As gírias 'migué', 'crush' e 'suave' (no sentido de 'bacana') identificam um grupo de jovens que se reconhecem por esse vocabulário, ao passo que a avó, de outra geração, não as compreende. Esse uso da língua como marca de pertencimento a um grupo definido por faixa etária e círculo social caracteriza a variação social, ou diastrática. A variação regional liga-se ao lugar, e as gírias descritas não se restringem a uma região. A variação de canal opõe fala e escrita, enquanto as gírias circulam em ambas. Não há registro formal escolhido pelo jovem, então não é caso de variação estilística predominante. Dizer que não há variação contradiz o próprio enunciado, já que a avó não entende o neto. Como o traço decisivo é o grupo social e etário, trata-se de variação social.

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