Questão de Romantismo e Realismo/Naturalismo — ENEM
Castro Alves, principal poeta da terceira geração do Romantismo brasileiro, ficou conhecido como 'o poeta dos escravos' por sua poesia de denúncia social e defesa da abolição. Sua obra mais célebre comove ao retratar o horror do tráfico de pessoas escravizadas cruzando o oceano. No trecho a seguir, composto no estilo do autor para ilustrar o condoreirismo: 'Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus, / se é loucura, se é verdade / tanto horror perante os céus! / Ó mar, por que não apagas / co'a esponja de tuas vagas / de teu manto este borrão?' Os versos, de tom grandioso e indignado, clamam aos céus contra a crueldade da escravidão e convocam o leitor à comoção e à mudança. A imagem do mar imenso e a interpelação a Deus reforçam a amplitude do protesto. Que tendência do Romantismo melhor define essa poesia de denúncia social e tom grandiloquente?
AO condoreirismo, poesia social e libertária da terceira geração, voltada à abolição.
BO indianismo, que celebra o índio como herói nacional idealizado.
CO ultrarromantismo, voltado ao tédio e à obsessão pela morte.
DO Realismo machadiano, com análise irônica e cética da sociedade.
EO Parnasianismo, com culto à forma e à objetividade descritiva.
Gabarito comentado
A terceira geração romântica, ou condoreirismo, leva a poesia para o campo social: defende a liberdade, denuncia a escravidão e adota tom grandiloquente, com imagens amplas e apelo coletivo. Castro Alves é seu maior representante. Reconhecer o engajamento e a oratória vibrante distingue essa fase das anteriores.
Resolução passo a passo
Os versos clamam contra o horror da escravidão, interpelam a Deus e ao mar e convocam o leitor à comoção, num tom grandioso e indignado. Essa poesia social, libertária e abolicionista, de linguagem ampla e generosa, é o condoreirismo da terceira geração romântica, cujo maior nome é Castro Alves. O indianismo idealiza o índio e pertence à primeira geração, ao passo que aqui o tema é a escravidão. O ultrarromantismo, voltado ao tédio íntimo, contrasta com esse engajamento coletivo. O Realismo machadiano usa ironia e ceticismo, não o clamor passional. O Parnasianismo cultua a forma fria, distante dessa emoção militante.
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