Gabarito comentado
A distinção tomista entre razão natural e fé é um dos pilares da síntese escolástica: a filosofia tem autonomia dentro de seu domínio, pois a razão é válida; a teologia vai além, pois se apoia na revelação. Compreender esses dois planos complementares ajuda a entender por que Tomás pôde usar Aristóteles sem abandonar o dogma cristão, e por que sua obra permanece referência central no pensamento católico.
Resolução passo a passo
O trecho apresenta dois planos distintos e complementares: a razão natural, que parte da experiência, e a fé, que acolhe verdades reveladas que a razão sozinha não descobriria. A primeira alternativa reflete com precisão essa distinção complementar: planos distintos, origens convergentes, fé alcançando além da razão. Afirmar a superioridade da razão sobre a fé inverte a hierarquia tomista, em que a fé eleva a inteligência a horizontes superiores. Dizer que fé e razão são idênticos contradiz o texto, que explicitamente os distingue. Sustentar que a razão deve ser abandonada diante da fé contraria a proposta tomista, que usa a razão tanto na filosofia quanto na teologia. Restringir as verdades reveladas ao clero é uma afirmação social que o texto não autoriza e que contradiz o caráter universal da proposta de Tomás. Portanto, a resposta correta é a primeira.
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