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Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial — ENEM
Após a reunião de pais e mestres de uma escola pública, o secretário escolar precisava redigir a ata do encontro. Durante a reunião, os pais falaram de modo bastante descontraído: usaram gírias, expressões regionais e frases incompletas. O secretário tinha anotado trechos como: 'os pais pediram pra escola dar um jeito nos banheiro sujo' e 'o pessoal reclamou que os menino tão bagunçando muito.' Na hora de escrever a ata oficial, ele se perguntou se deveria transcrever as falas exatamente como foram ditas, mantendo o registro coloquial, ou se deveria transpô-las para a norma culta, adequando ao caráter formal do documento. A ata é um documento oficial arquivado pela instituição e que pode ser consultado por autoridades educacionais. Considerando o gênero textual 'ata' e o interlocutor institucional, qual deve ser a postura do secretário na redação do documento?
ATranscrever as falas exatamente como foram ditas, para registrar fielmente o que cada pai disse.
BRedigir a ata em norma culta, transpondo o conteúdo das falas coloquiais para o registro formal exigido pelo documento oficial.
COmitir as falas dos pais e registrar apenas as decisões tomadas pela direção.
DUsar o registro coloquial nas falas e a norma culta apenas nos trechos redigidos pelo próprio secretário.
ENão redigir a ata, já que documentos produzidos com base em falas informais não têm validade.
Gabarito comentado
Gêneros textuais oficiais, como a ata, impõem convenções de registro independentemente de como as informações foram originalmente produzidas. Transpor o coloquial para a norma culta ao redigir esses documentos é parte da competência do produtor do texto institucional.
Resolução passo a passo
A ata é um documento oficial com função de registro institucional, arquivado e consultado por autoridades, o que exige norma culta e registro formal em toda a sua extensão. O secretário não deve transcrever as falas coloquiais literalmente, pois isso compromete a credibilidade e a função do gênero: a ata não é uma transcrição literal, e sim um registro do conteúdo e das decisões da reunião. A omissão das falas dos pais distorce os fatos e o propósito do documento. Misturar registros — coloquial nas falas e formal no restante — criaria incoerência e comprometeria a uniformidade do documento. E negar validade à ata por causa das falas informais confunde a origem oral das informações com o produto escrito, que sempre deve seguir as convenções do gênero formal. Transpor o conteúdo para a norma culta é, portanto, a postura correta.
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