LinguagensQuinhentismo, Barroco e ArcadismoDifícil
Questão de Quinhentismo, Barroco e Arcadismo — ENEM
Leia o texto a seguir, escrito no estilo de um poeta barroco brasileiro do século XVII, conhecido por sua veia satírica e também religiosa: 'Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado / da vossa alta clemência me despido; / porque, quanto mais tenho delinquido, / vos tenho a perdoar mais empenhado. / Se basta a vos irar tanto pecado, / a abrandar-vos sobeja um só gemido.' O eu lírico se confessa pecador, reconhece suas faltas e, ao mesmo tempo, deposita esperança no perdão divino, oscilando entre a culpa pela carne e o apelo ao espírito. A leitura revela um raciocínio paradoxal: quanto mais peca, mais oferece a Deus a oportunidade de perdoar. Considerando o sentido, a tensão interna e o procedimento argumentativo do texto, o que se depreende desse trecho?
AO poema exprime serenidade clássica e equilíbrio entre razão e natureza, próprios do Arcadismo.
BO poema descreve de modo objetivo a terra e os costumes, típico da literatura informativa.
CO poema revela o conflito barroco entre carne e espírito, sustentado por um raciocínio paradoxal.
DO poema exalta o amor pastoril e a vida simples no campo, recusando a culpa religiosa.
EO poema celebra o nacionalismo e a figura idealizada do índio brasileiro.
Gabarito comentado
O Barroco encena a dualidade do ser humano dividido entre o desejo do corpo e a salvação da alma, e recorre ao paradoxo, figura que une ideias contraditórias numa mesma afirmação. Gregório de Matos, em sua poesia religiosa, explora essa tensão e o jogo intelectual entre culpa e perdão.
Resolução passo a passo
O eu lírico se confessa pecador e, ao mesmo tempo, confia no perdão, oscilando entre a culpa da carne e o apelo ao espírito, tensão típica do Barroco. O procedimento que sustenta o texto é paradoxal: quanto mais peca, mais oferece a Deus razão para perdoar, unindo ideias aparentemente contraditórias. Esse conflito carne e espírito e o uso do paradoxo são marcas de Gregório de Matos. A serenidade árcade não cabe, já que há angústia e tensão. Não há descrição informativa nem bucolismo pastoril, e o nacionalismo indianista é romântico. Logo, depreende-se o conflito barroco entre carne e espírito sustentado por raciocínio paradoxal.
Quer mais questões de Quinhentismo, Barroco e Arcadismo?
Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.