Ciências HumanasFilosofia Medieval (Patrística e Escolástica)Difícil

Questão de Filosofia Medieval (Patrística e Escolástica) — ENEM

Em uma análise sobre a cultura política do mundo cristão, um historiador comenta a obra A Cidade de Deus, escrita por Santo Agostinho após o saque de Roma em 410. Diante de quem culpava o cristianismo pela queda do Império, Agostinho respondeu distinguindo duas "cidades" que convivem misturadas na sociedade humana. Em uma passagem que resume seu argumento, lê-se: "Dois amores fundaram duas cidades: o amor de si até o desprezo de Deus fundou a cidade terrena; o amor de Deus até o desprezo de si fundou a cidade celeste." A cidade terrena orienta-se pelos bens materiais e pelo poder; a cidade de Deus, pelo amor divino e pela vida eterna. As duas só se separarão de modo definitivo no juízo final. Depreende-se do documento que, para Santo Agostinho, a distinção entre as duas cidades baseia-se
Ano objeto do amor de cada pessoa, que se volta ou para si mesma ou para Deus.
Bna separação geográfica entre o Império Romano e os reinos cristãos da época.
Cna divisão social entre nobres e camponeses no interior do mundo medieval.
Dna oposição entre povos pagãos do Oriente e povos cristãos do Ocidente.
Ena diferença de riqueza material entre as cidades ricas e as cidades pobres.

Gabarito comentado

A teoria das duas cidades mostra Agostinho lendo a história como tensão entre o amor de si e o amor de Deus, herança da valorização platônica do espiritual sobre o material. Compreender esse caráter simbólico evita reduzir a obra a uma simples divisão política ou social do mundo.

Resolução passo a passo

O trecho citado é explícito: "dois amores fundaram duas cidades", o amor de si e o amor de Deus. A distinção é, portanto, espiritual e moral, baseada no objeto do amor de cada pessoa, e não em fronteiras ou classes. A separação geográfica entre Império e reinos cristãos não corresponde ao texto, que fala de cidades misturadas, não de territórios. A divisão entre nobres e camponeses é uma leitura social que o documento não autoriza, já que membros de qualquer condição podem pertencer a cada cidade. A oposição entre Oriente pagão e Ocidente cristão também não aparece. A diferença de riqueza entre cidades confunde o sentido simbólico com bens materiais. Logo, a base correta é o objeto do amor de cada um.

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