Ciências da NaturezaEcologia (Cadeias Alimentares, Ciclos Biogeoquímicos e Impactos Ambientais)Difícil
Questão de Ecologia (Cadeias Alimentares, Ciclos Biogeoquímicos e Impactos Ambientais) — ENEM
Em uma reserva, uma pesquisa de longo prazo monitorou uma teia alimentar em que onças predam capivaras e veados, enquanto capivaras e veados se alimentam de gramíneas e plantas jovens das margens dos rios. Pressionados pela caça ilegal, os predadores de topo quase desapareceram da área, e os cientistas registraram, nos anos seguintes, uma explosão populacional de capivaras e veados. Sem o controle exercido pelas onças, esses herbívoros passaram a consumir intensamente a vegetação ribeirinha, que praticamente sumiu de vários trechos. A perda das plantas das margens deixou o solo exposto, aumentou a erosão e assoreou os rios, prejudicando peixes e a qualidade da água usada pela população local. Esse caso ilustra como um impacto ambiental em uma espécie pode se propagar por todo o ecossistema. Considerando essa cadeia de eventos, qual interpretação ecológica descreve corretamente o ocorrido?
AA remoção do predador de topo desencadeou um efeito em cascata, com desequilíbrio que se propagou pelos níveis inferiores da teia.
BA redução das onças não afeta os demais níveis, pois cada espécie é regulada apenas por fatores internos à sua população.
CO aumento dos herbívoros elevou a biodiversidade vegetal, beneficiando a vegetação ribeirinha.
DA erosão e o assoreamento são causas, e não consequências, do desaparecimento dos predadores.
EA perda das onças configura sucessão ecológica primária na área da reserva.
Gabarito comentado
Predadores de topo exercem controle sobre as populações de presas, mantendo o equilíbrio da teia alimentar. Sua remoção pode gerar efeitos em cascata trófica, com superpopulação de herbívoros, destruição da vegetação e impactos físicos como erosão e assoreamento, mostrando como ações sobre uma espécie repercutem em todo o ecossistema.
Resolução passo a passo
O texto mostra uma sequência clara: a queda das onças, predadores de topo, liberou as populações de capivaras e veados, que se multiplicaram e devastaram a vegetação ribeirinha, causando erosão, assoreamento e prejuízo a peixes e à água. Esse desequilíbrio que parte do topo e desce pelos níveis inferiores é um efeito em cascata, o que torna a primeira alternativa correta. Afirmar que a redução das onças não afeta os demais níveis contraria os dados, já que o controle do predador regula os herbívoros. O aumento dos herbívoros reduziu a vegetação, em vez de elevar a biodiversidade, enquanto a erosão é consequência, e não causa. A perda das onças não é sucessão primária, uma vez que esta trata da colonização de áreas sem solo, restando apenas o efeito em cascata.
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