Ciências HumanasFilosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica)Difícil
Questão de Filosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica) — ENEM
Em sua obra sobre a vida em comunidade, Aristóteles afirma que o ser humano é, por natureza, um animal político, isto é, um ser feito para viver na pólis e na convivência com outros. Para ele, quem consegue viver fora de qualquer comunidade ou é uma besta, abaixo do humano, ou é um deus, acima dele. A linguagem, capaz de exprimir o justo e o injusto, distinguiria o homem dos demais animais e o tornaria apto à vida em sociedade organizada por leis. Nessa perspectiva, a cidade não é mero acordo de conveniência, mas a realização da natureza humana, e somente nela o indivíduo poderia desenvolver plenamente suas virtudes e alcançar uma vida boa, exercendo a cidadania por meio da participação nos assuntos comuns. O texto evidencia uma concepção específica sobre a relação entre o indivíduo e a comunidade política. O que se depreende da tese aristotélica apresentada?
AQue o indivíduo isolado é autossuficiente e a sociedade apenas limita sua liberdade.
BQue a vida política nasce de um contrato firmado por indivíduos originalmente solitários.
CQue viver na pólis é natural ao ser humano e condição para realizar plenamente sua natureza.
DQue a melhor existência consiste em afastar-se da cidade e buscar a vida contemplativa solitária.
EQue a linguagem é irrelevante para a vida em comunidade e para a virtude.
Gabarito comentado
Para Aristóteles, o ser humano é um animal político: a vida em comunidade não é convenção artificial, mas exigência de sua natureza, e só na pólis se realizam plenamente a virtude e a cidadania. Essa concepção diferencia-se das teorias contratualistas modernas, que partem de indivíduos isolados.
Resolução passo a passo
O texto afirma que o homem é por natureza um animal político, feito para a vida na pólis, na qual realiza sua natureza e desenvolve suas virtudes. Depreende-se que viver em comunidade é natural e necessário à plena realização humana. A primeira opção contraria o texto, que nega a autossuficiência do indivíduo isolado, comparado a besta ou deus. A segunda descreve o contratualismo moderno, de Hobbes e Locke, e não a tese aristotélica de naturalidade da vida política. A quarta opõe-se ao texto ao defender o afastamento da cidade. A quinta nega o papel da linguagem, que o próprio Aristóteles destaca como distintivo do homem. Por isso, a tese correta é a de que viver na pólis é natural e realiza a natureza humana.
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