LinguagensSemântica, Ambiguidade e IroniaFácil

Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Num bate-papo entre amigos, um deles conta, rindo, que na festa de sábado 'o João bebeu a garrafa inteira sozinho'. Todos entendem na hora que João não engoliu o vidro nem o plástico do recipiente, mas sim o líquido que estava dentro da garrafa. Ninguém imagina que ele tenha mastigado a embalagem. A palavra 'garrafa', nesse uso comum do dia a dia, acaba representando o conteúdo que ela armazena, ou seja, a bebida. Esse modo de falar é tão frequente que passa despercebido: dizemos 'tomar um copo', 'comer um prato' ou 'ler Machado de Assis', sempre nomeando o recipiente, o utensílio ou o autor no lugar daquilo que está realmente em jogo. Trata-se de uma relação de proximidade entre as coisas, e não de uma semelhança imaginada. Considerando o sentido da frase, o emprego da palavra 'garrafa' para indicar a bebida é um caso de
Ametonímia, pois o recipiente é usado para designar o conteúdo que ele contém.
Bhipérbole, pois há um exagero intencional na quantidade que João teria bebido.
Cpersonificação, pois se atribui à garrafa uma ação tipicamente humana.
Dantítese, pois há a aproximação de duas ideias de sentidos contrários.
Eeufemismo, pois a frase ameniza o fato de João ter bebido em excesso.

Gabarito comentado

A metonímia troca um termo por outro com o qual mantém relação de contiguidade, como recipiente e conteúdo, autor e obra, parte e todo ou marca e produto. Diferentemente da metáfora, que se apoia em semelhança, a metonímia se baseia em proximidade real entre os elementos envolvidos.

Resolução passo a passo

Quando alguém diz que 'bebeu a garrafa inteira', emprega o nome do recipiente para se referir ao líquido que estava dentro dele. Essa substituição baseada em uma relação de proximidade, ou contiguidade, entre o continente e o conteúdo caracteriza a metonímia. A hipérbole seria um exagero, e a frase não amplia a quantidade de forma desmedida, apenas usa 'garrafa' no lugar de 'bebida'. A personificação daria à garrafa uma ação humana, o que não acontece, uma vez que quem age é João. A antítese exigiria ideias opostas na mesma construção, ausentes no enunciado. O eufemismo suavizaria um termo desagradável, enquanto a frase apenas nomeia o conteúdo pelo recipiente, sem amenizar nada. Por isso, o recurso é a metonímia.

Quer mais questões de Semântica, Ambiguidade e Ironia?

Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.