Ciências HumanasFilosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento)Difícil
Questão de Filosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento) — ENEM
Michel Foucault distinguiu duas formas históricas de exercício do poder. Na soberania clássica, o poder se manifestava sobretudo como o direito do soberano de 'fazer morrer ou deixar viver', punindo de modo espetacular quem desafiasse sua autoridade. A partir dos séculos XVIII e XIX, segundo o autor, emergiu uma forma diferente, voltada não tanto a matar, mas a gerir, administrar e otimizar a vida da população: políticas de saúde pública, controle de natalidade, estatísticas demográficas, campanhas sanitárias e gestão de epidemias. Esse poder se exerce sobre o conjunto da população como corpo biológico a ser monitorado por dados e medidas, com o objetivo de 'fazer viver e deixar morrer'. Em uma passagem que sintetiza essa virada, Foucault nomeia essa modalidade de poder sobre a vida. A partir do texto, o conceito que Foucault emprega para nomear esse poder que administra a vida da população é
Abiopoder, poder que administra, regula e otimiza a vida da população por meio de dados e políticas.
Bpoder soberano, direito clássico de fazer morrer ou deixar viver os súditos.
Cvontade de potência, força criadora de valores descrita por Nietzsche.
Dfetichismo da mercadoria, ilusão que atribui vida própria aos produtos do trabalho.
Eação comunicativa, agir orientado ao entendimento entre sujeitos, segundo Habermas.
Gabarito comentado
O biopoder, em Foucault, marca a passagem de um poder que castiga corpos individuais para um poder que gere a vida das populações por meio de saúde, demografia e estatísticas. Compreender esse conceito ajuda a analisar criticamente políticas públicas, vigilância sanitária e o uso de dados sobre a população na sociedade contemporânea.
Resolução passo a passo
O texto descreve, em Foucault, a passagem do poder soberano de 'fazer morrer' para uma forma que administra e otimiza a vida da população por meio de saúde pública, estatísticas e gestão de epidemias, sob a lógica de 'fazer viver e deixar morrer'. Esse poder sobre a vida coletiva é o biopoder. A segunda alternativa nomeia justamente a forma anterior, contraposta no texto, e não a nova. A vontade de potência é de Nietzsche, de outro autor. O fetichismo da mercadoria é de Marx e trata dos produtos do trabalho. A ação comunicativa é de Habermas e se refere ao entendimento entre sujeitos. Por isso, o conceito correto é biopoder.
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