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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Uma pesquisadora de dialetologia visitou uma comunidade de pescadores no litoral do Nordeste e registrou expressões usadas no cotidiano daquele grupo. Os moradores chamavam o barco pequeno de 'jangada', usavam 'maré de sizígia' para falar da maré alta dos períodos de lua cheia, e diziam 'arengar' para discutir, além de chamarem o cesto de pesca de 'samburá'. A pesquisadora anotou que essas palavras fazem parte do vocabulário técnico e cultural da pesca artesanal e que, fora daquele contexto geográfico e profissional, poucos ouvintes as reconheceriam. Ao apresentar seus dados em um congresso, ela ressaltou que essas expressões não representam desvios, mas sim a riqueza lexical de uma comunidade que preserva um saber ligado ao mar e a um lugar específico do país. Considerando os dados levantados pela pesquisadora, qual tipo de variação linguística predomina nas expressões registradas?
AVariação histórica, porque essas palavras eram comuns em todos os pontos do país no passado.
BVariação estilística, porque os pescadores escolhem um registro formal ao falar sobre o ofício.
CVariação regional e profissional, porque o vocabulário está ligado a um lugar e a uma atividade específica.
DVariação de canal, porque as expressões só existem na escrita técnica da pesca artesanal.
EAusência de variação, pois todas as comunidades litorâneas do Brasil usam exatamente o mesmo vocabulário.

Gabarito comentado

A variação linguística pode ser analisada sob vários ângulos ao mesmo tempo: o mesmo vocabulário pode ser regional e profissional. Termos da pesca artesanal nordestina revelam tanto o lugar quanto o ofício de seus falantes. Reconhecer essa sobreposição é fundamental para compreender a riqueza da língua portuguesa no Brasil.

Resolução passo a passo

As expressões 'jangada', 'maré de sizígia', 'arengar' e 'samburá' aparecem em uma comunidade de pescadores do litoral nordestino e são pouco conhecidas fora desse contexto geográfico e profissional. Isso aponta para uma variação com dupla determinação: é regional, pois está ligada a um lugar específico do país, e também profissional, uma subcategoria da variação social, pois reflete o vocabulário técnico de uma atividade. A variação histórica envolve mudanças ao longo do tempo, e o texto não compara épocas distintas. A variação estilística depende do grau de formalidade escolhido pelo falante conforme a situação, o que não é o foco aqui. A variação de canal opõe fala e escrita, enquanto o vocabulário registrado é da fala oral da comunidade. Dizer que não há variação contradiz os dados levantados. Portanto, predominam a variação regional e profissional.

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