Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Difícil

Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM

Em uma passagem que sintetiza sua análise do capitalismo industrial, Karl Marx observa que o trabalhador, durante a jornada, produz em poucas horas um valor equivalente ao seu salário, mas continua trabalhando além desse tempo. O valor gerado nesse período excedente não é pago ao operário e é apropriado pelo proprietário dos meios de produção, constituindo a fonte do lucro. Quanto mais se prolonga a jornada ou se intensifica o ritmo, maior é essa parcela apropriada. Tal mecanismo, situado no coração das relações sociais de produção dessa sociedade, explica, para Marx, como o capital se valoriza a partir do trabalho não pago. A organização científica do trabalho, ao acelerar o ritmo e padronizar gestos, tendia justamente a ampliar esse excedente. O conceito que nomeia, no pensamento de Marx, esse valor excedente apropriado pelo capitalista é a:
AMais-valia, valor produzido pelo trabalhador além do equivalente ao seu salário e apropriado pelo capitalista.
BAlienação, perda de controle do trabalhador sobre o produto e o processo de trabalho.
CDivisão internacional do trabalho entre países centrais e periféricos no comércio mundial.
DAcumulação primitiva, concentração inicial de capital anterior à produção industrial moderna.
EFetichismo da mercadoria, ocultamento das relações sociais por trás dos objetos trocados no mercado.

Gabarito comentado

A mais-valia, para Marx, é o valor produzido pelo trabalhador além do necessário para repor seu salário e apropriado pelo capitalista, sendo a origem do lucro. Relacionar esse conceito à intensificação do ritmo promovida pela organização científica do trabalho ajuda a analisar criticamente a exploração no capitalismo industrial.

Resolução passo a passo

O texto descreve o trabalhador produzindo, além do valor de seu salário, um excedente apropriado pelo dono dos meios de produção como fonte do lucro, definição precisa da mais-valia em Marx. A alternativa correta nomeia esse valor excedente como mais-valia. A alienação está errada, já que se refere à perda de controle sobre o trabalho, e não ao valor excedente apropriado. A divisão internacional do trabalho trata da relação entre países, tema diverso do excedente da jornada. A acumulação primitiva diz respeito à concentração inicial de capital, anterior ao mecanismo descrito. O fetichismo da mercadoria refere-se ao ocultamento das relações sociais nos objetos, e não ao trabalho não pago. Por isso a primeira alternativa é a adequada.

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