Ciências HumanasFilosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento)Fácil
Questão de Filosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento) — ENEM
Ao cobrir o julgamento de um alto funcionário nazista responsável pela logística da deportação de judeus para campos de extermínio, a filósofa Hannah Arendt observou que o réu não parecia um monstro extraordinário, movido por ódio fanático e excepcional. Ele se apresentava como um burocrata comum, obediente, preocupado em cumprir ordens e em fazer carreira, que afirmava apenas ter executado as tarefas que lhe foram designadas. Para Arendt, o horror residia justamente nisso: crimes monstruosos contra a sociedade humana podiam ser cometidos por pessoas medíocres que renunciavam a pensar e a julgar por conta própria, transformando-se em peças obedientes de uma máquina de extermínio. Dessa reflexão sobre o totalitarismo nasceu uma expressão que se tornou célebre na filosofia política contemporânea. Considerando essa observação de Arendt, qual expressão nomeia a ideia de que grandes males podem ser praticados por pessoas comuns e irreflexivas?
ABanalidade do mal, ideia de que grandes crimes podem ser cometidos por pessoas comuns e irreflexivas.
BVontade geral, expressão da soberania popular formulada por Rousseau.
CRazão instrumental, uso do pensamento apenas como cálculo de meios e fins.
DContrato social, pacto que funda a autoridade política legítima entre os homens.
EMão invisível, mecanismo de mercado que harmoniza interesses individuais.
Gabarito comentado
A banalidade do mal chama atenção para o perigo da obediência acrítica e da renúncia ao pensamento, mostrando que regimes totalitários se apoiam em indivíduos comuns que deixam de julgar. Compreender essa ideia ajuda a valorizar a responsabilidade individual e o pensamento crítico na vida social.
Resolução passo a passo
O texto descreve a observação de Arendt sobre um burocrata obediente e medíocre que cometeu crimes enormes sem refletir sobre eles, agindo como mera engrenagem do regime totalitário. Essa ideia de que o mal extremo pode ser praticado por pessoas comuns e irreflexivas é a banalidade do mal. A vontade geral é de Rousseau e trata da soberania popular, tema diverso. A razão instrumental é um conceito frankfurtiano sobre cálculo de meios e fins, não sobre a irreflexão criminosa. O contrato social explica a origem da autoridade política. A mão invisível é de Adam Smith e descreve o mercado. Por isso, a expressão correta é banalidade do mal.
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