Gabarito comentado
Na literatura, a mistura intencional de registros é um recurso expressivo: o coloquial dá verossimilhança às falas e caracteriza personagens, ao passo que a norma culta pode estruturar a voz narrativa. Perceber a intenção por trás da alternância evita confundir escolha estilística com erro.
Resolução passo a passo
O texto deixa claro que o contraste entre o registro coloquial da fala e a norma culta da narração é intencional e expressivo. A coloquialidade da personagem ('pô, véio', 'trampar', 'parça', 'sacou') confere autenticidade e verossimilhança à cena de bar, enquanto a voz cuidada do narrador, ao reconhecer 'sabedoria' naquela fala, valoriza o saber popular. Atribuir o contraste a despreparo do autor contradiz a afirmação de que o recurso é proposital. Dizer que a narração corrige a fala inverte o sentido, já que o narrador a elogia em vez de censurá-la. Sustentar que o coloquial é inadequado a todo texto escrito ignora seu uso legítimo na literatura. E concluir que a personagem é menos inteligente por usar gírias contraria o próprio elogio do narrador. Assim, a alternância cumpre função expressiva, autenticando a fala e valorizando a sabedoria popular.
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