LinguagensNorma Culta vs. Linguagem ColoquialDifícil

Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial — ENEM

Em uma crônica, o narrador relata uma conversa de bar entre velhos amigos e, de repente, reproduz a fala de um deles: '— Pô, véio, a vida é isso aí mesmo, a gente se mata de trampar e no fim o que sobra é a resenha com os parça, sacou?' Logo em seguida, o narrador comenta, em registro cuidado: 'Naquela frase desalinhada, encontrei mais sabedoria do que em muitos tratados que já folheei.' O autor faz, de propósito, o registro coloquial da fala contrastar com a norma culta da voz narrativa. Esse contraste não é um descuido: é um recurso expressivo que aproxima o leitor da cena, dá autenticidade à personagem e ainda valoriza, pela boca do narrador, a sabedoria popular. Depreende-se do texto que a alternância de registros, nesse caso, cumpre qual finalidade?
ARevelar o despreparo linguístico do autor, incapaz de manter um único registro ao longo da crônica.
BCriar um efeito expressivo, conferindo autenticidade à fala da personagem e valorizando a sabedoria popular pela voz do narrador.
CCorrigir a fala coloquial da personagem, mostrando ao leitor como ela deveria ter falado.
DProvar que o registro coloquial é inadequado a qualquer texto escrito, inclusive ao literário.
EIndicar que a personagem é menos inteligente do que o narrador, por usar gírias.

Gabarito comentado

Na literatura, a mistura intencional de registros é um recurso expressivo: o coloquial dá verossimilhança às falas e caracteriza personagens, ao passo que a norma culta pode estruturar a voz narrativa. Perceber a intenção por trás da alternância evita confundir escolha estilística com erro.

Resolução passo a passo

O texto deixa claro que o contraste entre o registro coloquial da fala e a norma culta da narração é intencional e expressivo. A coloquialidade da personagem ('pô, véio', 'trampar', 'parça', 'sacou') confere autenticidade e verossimilhança à cena de bar, enquanto a voz cuidada do narrador, ao reconhecer 'sabedoria' naquela fala, valoriza o saber popular. Atribuir o contraste a despreparo do autor contradiz a afirmação de que o recurso é proposital. Dizer que a narração corrige a fala inverte o sentido, já que o narrador a elogia em vez de censurá-la. Sustentar que o coloquial é inadequado a todo texto escrito ignora seu uso legítimo na literatura. E concluir que a personagem é menos inteligente por usar gírias contraria o próprio elogio do narrador. Assim, a alternância cumpre função expressiva, autenticando a fala e valorizando a sabedoria popular.

Quer mais questões de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial?

Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.

Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial para o ENEM — com Gabarito Comentado | SimulENEM