Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Difícil
Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM
Em meados dos anos 1970, a economia capitalista enfrentou uma série de crises simultâneas: a elevação dos preços do petróleo encareceu a produção industrial, a inflação corroeu o poder de compra dos trabalhadores, e a saturação dos mercados de bens padronizados reduziu a margem de lucro das grandes fábricas. O modelo fordista, sustentado pela produção em massa de itens idênticos, por contratos estáveis e por sindicatos fortes que garantiam reajustes salariais regulares, mostrou-se incapaz de responder com agilidade às oscilações da demanda. Em resposta, geógrafos como David Harvey descrevem a emergência de um novo regime de acumulação, marcado pela produção sob encomenda, pela terceirização, pelo downsizing das empresas e pela precarização dos vínculos empregatícios. Esse regime reorganizou a sociedade capitalista ao transferir o risco da produção para o trabalhador e ao fragmentar as categorias profissionais, dificultando a ação coletiva dos sindicatos. A interpretação de Harvey sobre a crise do fordismo indica que:
AA rigidez do fordismo, incapaz de se adaptar às oscilações do mercado, favoreceu a emergência de um regime de acumulação flexível que transferiu riscos ao trabalhador e enfraqueceu a ação sindical.
BO fordismo foi superado pelo retorno ao artesanato corporativo, que devolveu ao trabalhador o controle integral sobre o processo produtivo e elevou os salários reais.
CA crise dos anos 1970 fortaleceu os sindicatos industriais, que conquistaram maior participação na gestão das fábricas e ampliaram os direitos trabalhistas no período seguinte.
DA acumulação flexível eliminou totalmente a divisão do trabalho, tornando todos os trabalhadores igualmente especializados e bem remunerados nas novas cadeias produtivas.
EO novo regime de acumulação restabeleceu os grandes estoques e as linhas de montagem fordistas, porém com tecnologia digital, sem alterar as relações de emprego existentes.
Gabarito comentado
David Harvey analisa a crise do fordismo como resultado de sua própria rigidez: incapaz de se ajustar a mercados instáveis, esse modelo abriu caminho para a acumulação flexível, que fragmenta o trabalho, terceiriza e precariza os vínculos empregatícios. Compreender essa transição é fundamental para interpretar as transformações do capitalismo contemporâneo e seus impactos sobre os trabalhadores e os movimentos sindicais.
Resolução passo a passo
O texto descreve o esgotamento do fordismo diante das crises dos anos 1970 e a emergência de um regime de acumulação flexível que terceiriza, precariza vínculos e fragmenta categorias profissionais, dificultando a ação sindical. A alternativa correta sintetiza que a rigidez fordista abriu espaço para a acumulação flexível, a qual transfere riscos ao trabalhador e enfraquece os sindicatos. A segunda está errada, dado que o retorno ao artesanato corporativo não descreve a transição analisada por Harvey, que trata de empresas capitalistas reestruturadas, não de oficinas artesanais. A terceira contraria o texto, que aponta a fragmentação das categorias como obstáculo à ação coletiva, ao contrário do fortalecimento sindical descrito nessa opção. A quarta é falsa, uma vez que a divisão do trabalho persiste no regime flexível, apenas assumindo formas mais descentralizadas, e a precarização implica heterogeneidade salarial, não igualdade. A quinta contradiz a essência do novo regime, que se define justamente por eliminar grandes estoques e substituir a rigidez fordista pela produção sob demanda. Por isso a primeira alternativa é a correta.
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