Ciências HumanasDesigualdade Social, Gênero, Raça e EtniaDifícil
Questão de Desigualdade Social, Gênero, Raça e Etnia — ENEM
Estudiosas do movimento feminista costumam organizar sua história em ondas, cada qual marcada por pautas e contextos distintos. A primeira onda, do final do século XIX ao início do XX, centrou-se no sufrágio feminino e nos direitos civis formais. A segunda onda, dos anos 1960 aos 1980, ampliou as demandas para a esfera privada, questionando a divisão sexual do trabalho, a violência doméstica e a sexualidade. A terceira onda, a partir dos anos 1990, incorporou críticas às generalizações da segunda, destacando as diferenças de raça, classe, sexualidade e geração entre as mulheres. Pesquisadoras apontam que essa evolução interna do feminismo reflete tanto as transformações sociais de cada época quanto os debates sobre quem o feminismo deveria representar e quais estruturas precisariam ser transformadas. Considerando a trajetória descrita, a passagem da segunda para a terceira onda do feminismo expressou principalmente qual deslocamento teórico?
AA crítica às generalizações sobre a experiência feminina universal, incorporando raça, classe e sexualidade como diferenças constitutivas.
BO abandono completo das pautas da segunda onda, substituídas exclusivamente pela luta por direitos eleitorais.
CA restrição do feminismo aos direitos civis formais, rejeitando qualquer dimensão da esfera privada.
DA dissolução dos movimentos feministas em correntes liberais que prescindiam de organização coletiva.
EA convergência de todos os feminismos em torno de uma única pauta de igualdade salarial no mercado formal.
Gabarito comentado
A passagem da segunda para a terceira onda do feminismo marcou a incorporação da diversidade interna ao movimento, reconhecendo que gênero se articula com raça, classe e sexualidade. Essa transição está diretamente relacionada ao conceito de interseccionalidade e ao questionamento de quem o feminismo representa de fato.
Resolução passo a passo
O texto descreve a terceira onda do feminismo como aquela que incorporou críticas às generalizações da segunda onda, destacando diferenças de raça, classe, sexualidade e geração entre as mulheres. O deslocamento teórico foi justamente o questionamento de uma experiência feminina universal, reconhecendo que as mulheres não são um grupo homogêneo. A segunda alternativa contradiz o texto ao afirmar o abandono completo das pautas da segunda onda e a volta ao sufrágio, que já era pauta da primeira onda. A terceira inverte o movimento histórico, já que foi a segunda onda que trouxe a esfera privada para o debate. A quarta associa o deslocamento ao liberalismo sem organização coletiva, o que o texto não sugere. A quinta propõe convergência em torno de uma única pauta, ideia oposta ao que o texto descreve como multiplicidade de diferenças. Por isso o deslocamento correto é o da primeira alternativa.
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