Gabarito comentado
No Romantismo, o eu lírico projeta seus sentimentos na natureza, que passa a refletir alegria, tristeza ou angústia conforme o estado interior do poeta. Esse recurso, chamado de patetic fallacy ou 'falácia patética', é uma das marcas da subjetividade romântica, em que o mundo externo e o mundo interior se fundem. Distingui-lo da descrição objetiva da natureza, típica do Realismo, é essencial para compreender as diferenças entre os movimentos literários.
Resolução passo a passo
O trecho faz a lua ser 'triste e pálida', o vento 'gemer' e a terra inteira 'carpir', projetando o sofrimento do eu lírico para o mundo externo, de modo que a natureza reflete e amplifica a dor interior. Esse recurso, pelo qual o mundo natural se torna espelho do estado emocional do sujeito, é característico do Romantismo, que trata a subjetividade como centro da experiência. A descrição objetiva e científica dos fenômenos naturais pertence ao Realismo e ao Naturalismo, que evitam essa fusão entre sujeito e natureza. O uso da natureza para crítica social está ausente, pois o texto é lírico e introspectivo, sem denúncia. A natureza exótica como símbolo nacional é traço do indianismo e do nacionalismo da primeira geração, distante do lirismo pessoal do trecho. A animalização da natureza para explicar o comportamento humano é recurso do Naturalismo, que parte do meio para o determinismo, ao passo que aqui o movimento é o inverso: da alma para o mundo.
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