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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em uma turma do primeiro ano do ensino fundamental, a professora pediu que as crianças contassem o que fizeram no fim de semana. Uma aluna disse: 'Eu fui no parque e eu brincei de escorregador, aí eu caí e minha mãe me pegou.' Outra criança disse: 'Eu fui na vovó e a gente comeu bolo e assistiu filme e deu muita risada.' A professora anotou que as crianças usavam construções como 'eu fui no parque' (em vez de 'ao parque') e repetiam o pronome 'eu' várias vezes, marcas típicas da fala espontânea de quem está aprendendo a estruturar narrativas. Ao invés de corrigir publicamente as crianças e dizer que 'erraram', a professora preferiu anotar os dados e planejar atividades que ampliem o repertório das alunas, sem desvalorizar a fala que trazem de casa. Considerando a atitude da professora, qual visão sobre linguagem ela demonstra?
AQue a fala espontânea das crianças é incorreta e deve ser substituída imediatamente pela norma-padrão.
BQue todas as formas de fala são igualmente adequadas a todos os contextos, sem distinção.
CQue a variedade que a criança traz de casa é legítima e o papel da escola é ampliar seu repertório linguístico.
DQue as crianças de famílias menos escolarizadas não têm capacidade de aprender a norma culta.
EQue a variação linguística é um erro pedagógico que a escola deve eliminar por completo.

Gabarito comentado

A pedagogia da variação linguística propõe que a escola ensine a norma-padrão sem destruir a identidade linguística do estudante. Ampliar o repertório significa que o aluno passe a dominar mais variedades, usando cada uma na situação adequada, e não que abandone a fala de sua comunidade.

Resolução passo a passo

A professora decide não corrigir publicamente as crianças, reconhecendo que suas construções são marcas da fala espontânea e da variedade que trazem de casa. Em vez disso, planeja atividades para ampliar o repertório linguístico das alunas sem desvalorizar sua fala de origem. Essa atitude reflete a visão de que a variedade materna é legítima e de que o papel da escola é acrescentar novas variedades, e não substituir ou eliminar a que a criança já domina. Dizer que a fala é incorreta e deve ser substituída imediatamente reproduz o preconceito linguístico que a professora evita. Afirmar que todas as formas são igualmente adequadas a todos os contextos ignora a importância de aprender registros formais. A ideia de que crianças de famílias menos escolarizadas não podem aprender a norma culta é um estereótipo discriminatório. Dizer que a variação é um erro pedagógico nega a realidade da língua. Portanto, a visão demonstrada é a de ampliar repertórios.

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