LinguagensSemântica, Ambiguidade e IroniaFácil

Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Um professor de redação mostrou a seus alunos diversas manchetes de jornais esportivos para discutir o uso da linguagem na imprensa. Uma das manchetes dizia: 'O Tricolor destruiu o rival e mandou a torcida adversária para casa chorar.' Os estudantes perceberam que o verbo 'destruiu' não indicava, literalmente, que um time havia demolido o outro fisicamente. O mesmo raciocínio valia para a ideia de 'chorar': a torcida não precisaria estar literalmente com lágrimas. O professor explicou que a imprensa esportiva costuma ampliar os fatos de propósito, usando palavras que vão muito além do sentido real dos eventos, para tornar a narrativa mais emocionante e prender a atenção do leitor. Esse recurso de ampliar, exagerar ou intensificar uma ideia de forma intencional e reconhecível, sem que ninguém tome as palavras ao pé da letra, é uma figura de linguagem muito comum na fala cotidiana, na publicidade e no jornalismo esportivo. Considerando o efeito expressivo da manchete, o recurso utilizado é a
Ahipérbole, pois as palavras exageram os fatos para intensificar o efeito expressivo.
Bironia, pois as palavras dizem o contrário do que o jornalista realmente pensa.
Cantítese, pois a manchete coloca em oposição a vitória de um time e a derrota do outro.
Dpersonificação, pois o time é tratado como um ser dotado de força física capaz de destruir.
Eeufemismo, pois o jornalista suaviza a derrota do time adversário para não ferir sentimentos.

Gabarito comentado

A hipérbole é o exagero intencional e reconhecível usado para intensificar a expressividade de uma afirmação. Na linguagem cotidiana e jornalística, ela aparece frequentemente em frases como 'estou morrendo de fome' ou 'chorei um rio', em que ninguém interpreta as palavras de forma literal. Seu papel é ampliar emocionalmente o sentido, não descrever um fato real com precisão.

Resolução passo a passo

A manchete não afirma que o time literalmente destruiu o adversário nem que a torcida literalmente chorou: ela amplifica os fatos de forma exagerada e intencional para criar impacto emocional e prender o leitor. Esse exagero expressivo reconhecível, em que as palavras ultrapassam de modo deliberado o sentido real dos eventos, caracteriza a hipérbole. A ironia exigiria que o jornalista dissesse o oposto do que pensa, e aqui as palavras reforçam, em vez de contradizer, a magnitude da vitória. A antítese aproximaria termos de sentidos opostos na mesma construção, e a manchete não faz isso de forma estrutural. A personificação atribuiria ao time qualidades humanas específicas, mas o recurso central não está em humanizar o time, e sim em exagerar a intensidade da ação. O eufemismo suavizaria a derrota, enquanto a manchete faz o oposto, dramatizando-a. Por isso, o recurso é a hipérbole.

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