Gabarito comentado
Na charge, a ironia frequentemente se constrói pela tensão entre o componente verbal e o visual: um texto diz uma coisa e a imagem revela o contrário, criando crítica social. Interpretar esse gênero exige ler conjuntamente palavra e desenho e perceber a contradição proposital entre discurso oficial e realidade representada.
Resolução passo a passo
A crítica da charge nasce do choque entre a promessa da placa, que garante atendimento humanizado e prioridade ao paciente, e a cena desenhada, em que os doentes são abandonados e um privilegiado fura a fila. O texto oficial afirma um valor que a imagem desmente, e é justamente essa contradição entre o dito e o mostrado que estrutura a ironia, usada como denúncia social. A hipérbole seria um exagero, ao passo que o foco está na contradição, não na ampliação de uma quantidade. A personificação daria traços humanos ao hospital, recurso que não organiza a crítica. A metonímia trocaria um termo por outro contíguo, relação que a placa não estabelece de forma central. A ambiguidade lexical exigiria uma palavra com dois sentidos ativos disputando a leitura, enquanto o efeito vem do contraste entre discurso e realidade. Por isso, o recurso central é a ironia.
Quer mais questões de Semântica, Ambiguidade e Ironia?
Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.