Ciências HumanasDesigualdade Social, Gênero, Raça e EtniaMédio

Questão de Desigualdade Social, Gênero, Raça e Etnia — ENEM

Pesquisas sobre violência doméstica no Brasil mostram que, apesar do avanço legislativo representado pela Lei Maria da Penha de 2006, muitas mulheres em situação de violência não registram ocorrência policial. Entre os fatores apontados estão a dependência econômica em relação ao agressor, o medo de retaliação, a falta de rede de apoio e a vergonha social decorrente de estigmas que responsabilizam a vítima. Além disso, pesquisadores apontam que a tolerância social à violência contra a mulher, historicamente naturalizada como assunto privado, contribui para que as agressões persistam sem denúncia. Nesse contexto, a subnotificação não representa apenas uma falha individual das vítimas, mas um fenômeno alimentado por uma estrutura social que ancora a subordinação feminina. Considerando os fatores apresentados no texto, a subnotificação da violência doméstica reflete principalmente qual dinâmica social?
AA combinação de dependência econômica, estigma social e tolerância cultural que silencia as vítimas.
BA eficiência das delegacias de polícia, que resolvem os casos sem necessidade de registro formal.
CA inexistência de legislação específica para proteger mulheres em situação de violência doméstica.
DA preferência das mulheres por resolver conflitos domésticos sem qualquer intervenção externa.
EA redução dos índices de violência doméstica após a aprovação de leis de proteção à mulher.

Gabarito comentado

A subnotificação da violência doméstica é um fenômeno social complexo, sustentado por dependência econômica, estigma cultural e tolerância social histórica. Compreender esses fatores estruturais é essencial para analisar por que a lei, mesmo existindo, não é suficiente para erradicar a violência de gênero sem transformações culturais mais amplas.

Resolução passo a passo

O texto apresenta a subnotificação como resultado de múltiplos fatores estruturais: dependência econômica, medo de retaliação, ausência de rede de apoio, estigma que culpabiliza a vítima e tolerância social que historicamente naturalizou a violência como assunto privado. A combinação dessas dimensões é justamente o que a primeira alternativa resume. A segunda inverte a lógica, ao supor eficiência policial que resolve os casos, o que contradiz o problema de subnotificação. A terceira contraria o texto, que menciona explicitamente a Lei Maria da Penha de 2006. A quarta atribui a subnotificação a uma preferência das vítimas, ignorando as condições estruturais descritas. A quinta sugere redução dos índices, dado contrário ao que o enunciado indica. Por isso a dinâmica correta é a da primeira alternativa.

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