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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Uma notícia de um portal de entretenimento descrevia assim a aparição de uma cantora nordestina em um programa nacional: 'A artista surpreendeu o público com seu sotaque carregado e suas expressões típicas do sertão, que arrancaram gargalhadas da plateia.' A própria cantora, em entrevista posterior, respondeu: 'Eu falo como aprendi, como minha família fala. Se isso arranca gargalhada, diz mais sobre quem ri do que sobre a minha fala. Minha voz é minha identidade.' Linguistas que analisaram o episódio observaram que a cobertura da notícia tratou a variedade nordestina como curiosidade cômica, e não como uma forma legítima de expressão. Ao descrever o sotaque como algo que 'arranca gargalhadas', o portal contribuiu para reforçar um estereótipo. Considerando a análise dos linguistas e a resposta da cantora, o que o episódio revela sobre o tratamento dado à variação linguística regional?
AQue o sotaque nordestino é de fato engraçado, pois contém erros que outros sotaques não têm.
BQue a cantora deveria ter aprendido o sotaque padrão antes de aparecer em um programa nacional.
CQue a notícia reproduz preconceito linguístico ao tratar a variedade regional como motivo de chacota.
DQue a variação regional é um problema que só pode ser resolvido pela educação formal intensa.
EQue programas nacionais têm o dever de corrigir os sotaques regionais de seus participantes.

Gabarito comentado

O preconceito linguístico frequentemente se disfarça de humor ou de curiosidade, mas seu efeito é deslegitimar falantes e suas comunidades. Tratar um sotaque regional como piada é uma forma de violência simbólica. Reconhecer isso exige sensibilidade crítica para além da gramática.

Resolução passo a passo

A notícia descreve o sotaque nordestino da cantora como algo que 'arranca gargalhadas', transformando uma variedade legítima em motivo de entretenimento às custas de quem a fala. Os linguistas identificam nisso um caso de preconceito linguístico, em que uma variedade regional é tratada como curiosidade cômica em vez de expressão identitária válida. A cantora reforça esse diagnóstico ao dizer que a reação do público diz mais sobre quem ri do que sobre sua fala. Afirmar que o sotaque nordestino contém erros reproduz exatamente o julgamento preconceituoso que os linguistas criticam. Dizer que ela deveria ter mudado o sotaque pressupõe que existe uma variedade 'certa' para aparecer na televisão, o que é uma visão normativa. A ideia de que a variação regional é um problema a ser resolvido pela educação também parte de um viés preconceituoso. Programas não têm o papel de corrigir variedades de seus participantes. Portanto, o episódio revela preconceito linguístico.

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