Ciências HumanasFilosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento)Difícil
Questão de Filosofia Contemporânea (Ética, Política e Teoria do Conhecimento) — ENEM
Em um excerto que sintetiza seu diagnóstico da cultura ocidental, Nietzsche faz um personagem anunciar nas ruas que 'Deus está morto' e que fomos nós, os humanos, que o matamos. Para o filósofo, essa imagem não trata da existência literal de uma divindade, mas do colapso dos valores supremos que, durante séculos, deram sentido e fundamento absoluto à vida social, à moral e ao conhecimento no Ocidente. Com a perda da crença nesses fundamentos eternos, abre-se um período de desorientação em que os antigos valores já não convencem, e o risco é que nada mais pareça ter sentido ou valor. Esse esvaziamento de sentido, contudo, também poderia ser a chance de o ser humano criar novos valores a partir de sua própria força vital. A partir desse texto, a expressão 'Deus está morto' deve ser interpretada principalmente como a afirmação de que
Aa ciência moderna provou de modo definitivo a inexistência de qualquer divindade.
Bruíram os valores supremos que davam fundamento absoluto à moral e ao sentido da vida no Ocidente, instaurando o niilismo.
Ca humanidade deveria retornar à religião tradicional para recuperar a ordem moral perdida.
Dtodas as religiões são igualmente verdadeiras e conduzem ao mesmo fundamento divino.
Eo Estado deve assumir o lugar da Igreja como nova fonte absoluta de valores eternos.
Gabarito comentado
A 'morte de Deus' nomeia, em Nietzsche, a crise dos fundamentos absolutos da cultura ocidental e a consequente experiência do niilismo. Entender essa metáfora ajuda a distinguir a crítica filosófica aos valores do simples ateísmo e a perceber o desafio de criar sentido diante da perda de fundamentos eternos.
Resolução passo a passo
O texto esclarece que 'Deus está morto', em Nietzsche, não trata da existência literal de uma divindade, mas do colapso dos valores supremos que fundamentavam a moral, o conhecimento e o sentido da vida no Ocidente, instaurando o niilismo. A segunda alternativa expressa exatamente esse diagnóstico. A primeira erra ao reduzir a frase a uma prova científica sobre Deus, algo que o próprio texto nega. A terceira inverte o sentido, já que Nietzsche não propõe retorno à religião tradicional. A quarta desvia para um relativismo religioso ausente no excerto. A quinta inventa uma divinização do Estado, estranha ao argumento. Por isso, a correta é a segunda.
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