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Questão de Música e Cinema Nacional — ENEM

Um ensaio compara dois modos de retratar a miséria no cinema. No primeiro, típico de certas produções comerciais, a pobreza aparece embelezada: o favelado é mostrado com bom humor exótico, em cenários pitorescos e coloridos, de modo a comover o espectador sem incomodá-lo. No segundo, ligado a Glauber Rocha e ao Cinema Novo, a fome e a violência do sertão são exibidas de forma crua, áspera e até desconfortável, sem trilha sonora suavizadora, para que o público sinta o peso da injustiça e não consiga digeri-la como simples espetáculo. O ensaio lembra que Glauber defendia uma estética da fome, segundo a qual a forma violenta do filme seria a expressão mais honesta de uma sociedade faminta, e que filmar a miséria de modo bonito seria trair quem nela vive. Considerando essa comparação, o que distingue, no plano da função social, a proposta de Glauber Rocha da abordagem comercial descrita?
AGlauber busca apenas entreter com imagens agradáveis, enquanto o cinema comercial denuncia a injustiça social.
BAmbas as abordagens tratam a miséria de modo idêntico, sem diferença de intenção ou de forma estética.
CGlauber recusa o embelezamento e usa a forma crua para provocar consciência crítica, ao passo que a abordagem comercial torna a pobreza um espetáculo digerível.
DA abordagem comercial é mais crítica, já que mostra a pobreza com humor, enquanto Glauber a esconde do público.
EGlauber filma apenas paisagens turísticas coloridas, evitando qualquer referência à fome e à violência do sertão.

Gabarito comentado

A estética da fome propõe que a forma violenta e crua do filme seja a expressão honesta de uma sociedade desigual, recusando o embelezamento que transforma a miséria em espetáculo confortável. Comparar abordagens estéticas pela intenção e pela função social revela como a forma de mostrar a realidade já é, em si, uma tomada de posição.

Resolução passo a passo

O ensaio opõe a pobreza embelezada do cinema comercial, mostrada de modo pitoresco e confortável, à estética da fome de Glauber Rocha, que exibe a miséria de forma crua e desconfortável para que o público sinta a injustiça e não a consuma como espetáculo. A terceira alternativa expressa exatamente essa distinção: Glauber recusa o embelezamento e usa a forma áspera para provocar consciência, enquanto a via comercial torna a pobreza digerível. A primeira inverte os papéis dos dois cinemas. A segunda nega a diferença que o texto constrói. A quarta erra ao chamar de crítica a abordagem que ameniza a miséria. A quinta contraria o ensaio, uma vez que Glauber justamente filma a fome e a violência, em vez de evitá-las.

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