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Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Em época de eleições municipais, um candidato a vereador distribuiu cartazes com a seguinte frase: 'Trabalhei por você durante quatro anos, agora preciso que você trabalhe por mim.' A frase circulou nas redes sociais e gerou muita discussão. Vários moradores perceberam que a palavra 'trabalhar' aparecia duas vezes, mas com sentidos completamente diferentes: na primeira ocorrência, o candidato se refere ao exercício do mandato, ao trabalho político e à atuação em função pública. Na segunda, pede que o eleitor 'trabalhe', ou seja, vote, faça campanha, convença vizinhos, divulgue a candidatura. A ambiguidade não vem da estrutura da frase, e sim do fato de que a mesma palavra assume papéis distintos dentro do mesmo enunciado. Um professor de português que comentou o caso numa rede social escreveu: 'Esse cartaz é um exemplo escolar de um fenômeno muito discutido nas aulas de semântica.' Considerando o fenômeno identificado pelo professor, a palavra 'trabalhar' no cartaz ilustra um caso de
Apolissemia, pois a mesma palavra assume sentidos diferentes em cada ocorrência do texto.
Bantítese, pois as duas ocorrências de 'trabalhar' apresentam significados opostos e complementares.
Ceufemismo, pois o candidato suaviza o pedido de voto ao usar a palavra 'trabalhar'.
Dambiguidade estrutural, pois a posição das palavras na frase gera duas leituras sintáticas.
Emetonímia, pois a palavra 'trabalhar' substitui, por proximidade, a expressão 'fazer campanha'.

Gabarito comentado

A polissemia é a propriedade de uma palavra apresentar vários sentidos distintos, mas relacionados entre si, consolidados pelo uso da língua. Ela difere da homonímia, em que palavras de origens diversas coincidem na forma, e da ambiguidade estrutural, que depende da sintaxe. No cartaz eleitoral, a polissemia de 'trabalhar' é explorada de modo persuasivo, pois cria a ideia de uma troca equilibrada entre candidato e eleitor.

Resolução passo a passo

A mesma palavra 'trabalhar' aparece duas vezes no cartaz com sentidos distintos: primeiro, o exercício de um mandato político; depois, o engajamento eleitoral do eleitor. Essa capacidade de uma única palavra acumular sentidos diferentes dentro do mesmo texto caracteriza a polissemia, fenômeno pelo qual um vocábulo apresenta múltiplos significados relacionados, registrados no léxico da língua. A antítese juntaria termos de sentidos opostos na mesma construção para criar contraste, mas aqui não há oposição formal entre os dois usos, e sim deslocamento de sentido. O eufemismo suavizaria um termo desagradável, e a palavra 'trabalhar' não ameniza nada; ao contrário, é usada de forma deliberada para valorizar a troca proposta pelo candidato. A ambiguidade estrutural dependeria da disposição sintática dos termos na frase, enquanto o problema está no léxico, em um único vocábulo com dois valores semânticos. A metonímia substituiria um termo por outro contíguo, mas o uso de 'trabalhar' com dois sentidos não é uma substituição de contiguidade. Portanto, o fenômeno é a polissemia.

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