LinguagensNorma Culta vs. Linguagem ColoquialDifícil

Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial — ENEM

Uma jovem profissional escreve, no mesmo dia, duas mensagens. A primeira, a um cliente importante: 'Prezado Sr. Carlos, conforme combinado, encaminho em anexo a proposta revisada. Permaneço à disposição para eventuais esclarecimentos. Atenciosamente, Letícia.' A segunda, a uma amiga de infância: 'Lê, surtei aqui! O cliente aprovou a proposta, finalmente! Bora comemorar hoje? Tô precisando demais, kkkk.' As duas mensagens tratam, em parte, do mesmo evento — o avanço de uma proposta de trabalho —, mas adotam registros opostos. Letícia domina os dois e transita entre eles com naturalidade, ajustando a linguagem a cada destinatário. Um observador apressado poderia julgar que um dos textos está 'errado'. Considerando a noção de adequação linguística, qual afirmação interpreta corretamente a diferença entre as duas mensagens?
AO segundo texto está errado, porque toda comunicação escrita deve seguir a norma culta.
BCada texto é adequado ao seu interlocutor e à sua situação: a norma culta cabe ao cliente, e o registro coloquial, à amiga.
CO primeiro texto está errado, porque a formalidade é sempre artificial e antiquada.
DOs dois textos estão errados, porque misturam assuntos profissionais e pessoais.
EO segundo texto é superior, porque a linguagem coloquial é sempre mais espontânea e verdadeira.

Gabarito comentado

A variação de registro não opõe linguagem 'certa' e 'errada', e sim usos mais ou menos adequados a cada situação. O falante competente transita entre a norma culta e o coloquial conforme o interlocutor e o contexto, sem que um anule o valor do outro.

Resolução passo a passo

A adequação linguística não classifica registros como certos ou errados em si, e sim como apropriados ou não a cada situação e interlocutor. O texto ao cliente exige norma culta, tratamento cerimonioso e tom impessoal, traços que ele apresenta. O texto à amiga, numa relação íntima e informal, comporta gírias, abreviações e marcas de oralidade ('surtei', 'bora', 'tô', 'kkkk'). Afirmar que toda escrita deve ser formal ignora que a coloquialidade é adequada entre amigos. Dizer que a formalidade é sempre artificial confunde adequação com gosto pessoal. Sustentar que ambos erram por misturar assuntos desconsidera que a mistura é natural na conversa íntima e ausente no e-mail profissional. E julgar o coloquial superior por ser 'mais verdadeiro' repete o equívoco de hierarquizar registros. Logo, cada texto é adequado ao seu contexto.

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