Ciências HumanasAntiguidade Clássica (Grécia e Roma - Cidadania e Democracia)Difícil

Questão de Antiguidade Clássica (Grécia e Roma - Cidadania e Democracia) — ENEM

Um historiador analisa, em um ensaio sobre a democracia ateniense, um mecanismo peculiar criado por Clístenes no final do século VI a.C.: o ostracismo. Uma vez por ano, a assembleia de Atenas podia votar para exilar um cidadão considerado perigoso à estabilidade da democracia, sem acusação formal de crime e sem processo judicial. O nome do indivíduo a ser banido era escrito em um fragmento de cerâmica chamado óstrakon, e o cidadão que recebesse mais de seis mil votos era exilado por dez anos, sem perder a cidadania ou os bens. Políticos influentes, como Temístocles, foram ostracizados. O historiador aponta que o mecanismo era simultaneamente democrático — pois dependia do voto popular — e autoritário em seu efeito, já que silenciava adversários políticos sem julgamento. Considerando essa análise, o ostracismo revela que a democracia ateniense
Acomportava tensões internas, usando o voto popular para suprimir indivíduos sem garantia de defesa formal.
Bera plenamente liberal, assegurando a todos os cidadãos julgamento justo antes de qualquer punição.
Crejeitava qualquer forma de punição coletiva, preferindo sempre o julgamento individual pelo tribunal.
Dfuncionava sem contradições, e o ostracismo servia apenas como homenagem a cidadãos ilustres.
Eera idêntica às democracias contemporâneas, que também utilizam o exílio como sanção política regular.

Gabarito comentado

O ostracismo ilustra uma das contradições da democracia ateniense: a assembleia popular podia exilar cidadãos sem julgamento, combinando participação coletiva com ausência de garantias individuais. Essa tensão entre vontade da maioria e direitos individuais permanece relevante para pensar os limites e os riscos das democracias em qualquer época.

Resolução passo a passo

O texto descreve o ostracismo como simultaneamente democrático, por depender do voto popular, e de efeito autoritário, por silenciar adversários sem julgamento formal. Isso evidencia tensões internas da democracia ateniense, que usava o voto para suprimir indivíduos sem garantia de defesa. A alternativa sobre plenitude liberal contraria o texto, que afirma que não havia processo judicial. A rejeição de qualquer punição coletiva é incorreta, pois o ostracismo era exatamente isso. A ideia de que o mecanismo servia de homenagem inverte seu sentido, já que o exílio é uma punição, não uma distinção. A equiparação com as democracias contemporâneas é incorreta, pois essas não utilizam o exílio como sanção política rotineira. Por isso, o ostracismo revela tensões internas da democracia ateniense.

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