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Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Em uma reportagem sobre festas tradicionais, um repórter entrevistou um morador do interior do estado, que respondeu assim sobre a colheita: 'Esse ano a roça deu fartura, viu? A gente capina, planta, e quando chega a hora dispois colhe o que plantô. O trem aqui é trabaiá de sol a sol, mas vale a pena cumê do que é da terra da gente.' O entrevistado usa palavras como 'dispois', 'plantô', 'trabaiá' e o regionalismo 'trem' (no sentido de 'coisa', 'negócio'), marcas típicas da fala de sua região. Essas formas não são erros, e sim características próprias do modo de falar daquele lugar, diferentes das que se ouviriam em outra parte do país. Considerando que essas marcas estão ligadas ao lugar onde a pessoa vive, que tipo de variação linguística aparece de modo predominante na fala do morador?
AVariação histórica, porque mostra como o português era falado em séculos passados.
BVariação regional, porque as marcas da fala estão ligadas ao lugar onde a pessoa vive.
CVariação social, porque revela o grau de escolaridade e a classe econômica do falante.
DVariação estilística, porque o falante escolhe um registro mais formal para a entrevista.
EVariação de canal, porque a diferença vem do uso do rádio em vez da escrita.

Gabarito comentado

A variação regional, ou diatópica, reúne as diferenças de pronúncia, vocabulário e construção que distinguem o modo de falar de cada região. Palavras como 'mandioca', 'aipim' e 'macaxeira' para a mesma raiz ilustram esse fenômeno. Identificar regionalismos exige perceber que eles marcam o espaço, não um suposto erro.

Resolução passo a passo

As marcas da fala do morador, como 'dispois', 'trabaiá' e o uso de 'trem' para 'coisa', são típicas de uma região específica e variam de um lugar para outro do país. Essa diferença ligada ao espaço geográfico caracteriza a variação regional, também chamada diatópica. A variação histórica trata de mudanças ao longo do tempo, e o trecho retrata a fala atual de uma comunidade, não o português antigo. A variação social relaciona-se a grupos definidos por escolaridade ou classe, enquanto aqui o traço determinante é o lugar. A variação estilística depende do grau de formalidade escolhido conforme a situação, ao passo que o entrevistado mantém um registro espontâneo. A variação de canal opõe fala e escrita, o que não explica os regionalismos apontados. Logo, predomina a variação regional.

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