LinguagensModernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45)Difícil

Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

João Cabral de Melo Neto, expoente da terceira geração modernista, ficou conhecido como o 'poeta engenheiro' pelo rigor construtivo de seus versos. Sua poesia recusa o sentimentalismo fácil e a inspiração espontânea, valorizando a precisão, a economia verbal e a elaboração quase geométrica da forma. Em obras como 'Morte e Vida Severina', associa essa disciplina formal a temas sociais nordestinos. A leitura atenta dos dois trechos a seguir, ambos compostos no estilo de períodos diferentes, ajuda a perceber esse contraste. Trecho I, em estilo romântico: 'Ah! como choro a saudade imensa / que me consome a alma dolorida, / lágrimas mil verto sem defesa.' Trecho II, em estilo de João Cabral: 'A pedra é pedra: / dura, exata, sem choro. / O verso se constrói / como muro se levanta: / pedra sobre pedra, / medida, sem excesso.' Considerando as características do autor, a diferença essencial entre os dois trechos está em que o Trecho II:
Aintensifica a expressão emocional e a subjetividade lírica presentes no Trecho I.
Bsubstitui a efusão sentimental por uma construção rigorosa, precisa e antilírica.
Cabandona qualquer preocupação formal em favor da escrita totalmente espontânea.
Dretoma a métrica fixa e a rima rica características da poesia parnasiana.
Eexalta a saudade e a dor de modo ainda mais grandiloquente que o Trecho I.

Gabarito comentado

A terceira geração modernista, com João Cabral, leva o rigor formal ao extremo, tratando o poema como objeto construído com precisão. Diferentemente do lirismo emotivo romântico, o 'poeta engenheiro' valoriza a economia verbal e a forma exata, fazendo da disciplina construtiva um traço estético tão importante quanto o tema.

Resolução passo a passo

O enunciado caracteriza João Cabral pelo rigor construtivo, pela recusa ao sentimentalismo e pela elaboração quase geométrica da forma. O Trecho I, romântico, é puro extravasamento de dor, com exclamações e adjetivos emotivos. O Trecho II compara o verso a um muro de pedras 'medido, sem excesso' e afirma a pedra 'sem choro', evidenciando a contenção e a precisão antilíricas. A segunda alternativa capta essa oposição entre efusão e construção. A primeira inverte o sentido, já que o Trecho II reduz a emoção. A terceira fala em espontaneidade, contrária ao trabalho consciente da forma. A quarta atribui métrica e rima parnasianas, alheias ao projeto cabralino. A quinta diz que o Trecho II exalta a saudade, enquanto ele a rejeita. Logo, a diferença está na construção rigorosa e antilírica.

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