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Questão de Música e Cinema Nacional — ENEM

Um ensaio de crítica musical confronta duas interpretações sobre a bossa nova e sua relação com o contexto político do Brasil no final dos anos 1950 e início dos 1960. Para a primeira corrente, a bossa representava alienação: ao falar de amor, mar e beleza cotidiana, ignorava a pobreza, a desigualdade e as tensões políticas do país, oferecendo ao ouvinte de classe média uma música refinada e tranquilizadora que se afastava do projeto de uma arte engajada. Para a segunda corrente, a bossa era subversiva à sua maneira: ao recusar o estardalhaço do rádio tradicional, ao transformar o samba em sofisticação harmônica e ao valorizar a escuta intimista, criava um espaço de autonomia estética que contrariava os padrões culturais dominantes. O ensaio conclui que o debate revela como a função política de uma obra não se reduz ao seu conteúdo temático explícito. Considerando o argumento do ensaio, o que o debate sobre a bossa nova demonstra?
AQue a análise política de uma obra se limita ao conteúdo das letras, ignorando forma e recepção.
BQue obras sem tema explicitamente político são sempre alienadas e não merecem análise crítica.
CQue a dimensão política de uma manifestação artística pode estar na forma e na postura estética, não apenas no tema.
DQue a bossa nova foi unanimemente reconhecida como engajada pela crítica musical dos anos 1960.
EQue a sofisticação harmônica impede qualquer leitura social ou política de uma obra musical.

Gabarito comentado

A análise cultural avançada não se limita ao tema explícito de uma obra: a forma, o estilo de interpretação, o público a que se dirige e a postura estética são também portadores de sentido político e social. O debate sobre a bossa nova ilustra como uma mesma obra pode ser lida simultaneamente como alienada e como subversiva, dependendo do critério adotado para definir engajamento político.

Resolução passo a passo

O ensaio apresenta duas leituras opostas da bossa nova: a que a vê como alienada por tratar de amor e beleza, e a que a vê como subversiva por recusar os padrões do rádio e criar autonomia estética. A conclusão é que o debate revela que a função política de uma obra não se reduz ao conteúdo temático explícito. A terceira alternativa traduz exatamente essa conclusão: a dimensão política pode estar na forma e na postura estética. A primeira contraria o ensaio ao restringir a análise ao conteúdo das letras, desconsiderando a forma. A segunda nega a possibilidade de leitura crítica de obras sem tema político explícito, o que o texto refuta ao tratar a bossa como subversiva à sua maneira. A quarta inventa uma unanimidade crítica que o texto contradiz ao apresentar duas correntes opostas. A quinta reduz a sofisticação harmônica a obstáculo para a leitura social, o que o ensaio recusa ao examinar exatamente a forma da bossa como dado político.

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