Gabarito comentado
A análise cultural avançada não se limita ao tema explícito de uma obra: a forma, o estilo de interpretação, o público a que se dirige e a postura estética são também portadores de sentido político e social. O debate sobre a bossa nova ilustra como uma mesma obra pode ser lida simultaneamente como alienada e como subversiva, dependendo do critério adotado para definir engajamento político.
Resolução passo a passo
O ensaio apresenta duas leituras opostas da bossa nova: a que a vê como alienada por tratar de amor e beleza, e a que a vê como subversiva por recusar os padrões do rádio e criar autonomia estética. A conclusão é que o debate revela que a função política de uma obra não se reduz ao conteúdo temático explícito. A terceira alternativa traduz exatamente essa conclusão: a dimensão política pode estar na forma e na postura estética. A primeira contraria o ensaio ao restringir a análise ao conteúdo das letras, desconsiderando a forma. A segunda nega a possibilidade de leitura crítica de obras sem tema político explícito, o que o texto refuta ao tratar a bossa como subversiva à sua maneira. A quarta inventa uma unanimidade crítica que o texto contradiz ao apresentar duas correntes opostas. A quinta reduz a sofisticação harmônica a obstáculo para a leitura social, o que o ensaio recusa ao examinar exatamente a forma da bossa como dado político.
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