LinguagensModernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45)Difícil

Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

Clarice Lispector, ligada à terceira geração modernista, renovou a prosa brasileira com narrativas introspectivas centradas no fluxo de consciência e nas chamadas epifanias: instantes em que uma personagem, diante de algo banal, tem uma súbita revelação sobre si mesma ou sobre a existência. Sua linguagem privilegia o mundo interior em detrimento da ação externa, e o enredo muitas vezes cede lugar à investigação psicológica. Leia o trecho composto no estilo da autora: 'Foi então que, olhando o ovo na mesa, ela parou. Um ovo. Coisa tão simples. E de repente compreendeu que nunca tinha visto um ovo, nunca de verdade, e que talvez nunca tivesse visto nada, nem a si mesma.' Considerando o contexto e o trecho, o recurso narrativo predominante e seu efeito caracterizam-se por:
Aação externa intensa, com sequência rápida de acontecimentos e reviravoltas no enredo.
Bnarração de um instante epifânico, em que o banal desencadeia revelação interior.
Cdescrição objetiva e impessoal do ambiente, sem acesso à consciência da personagem.
Ddenúncia social explícita da miséria do sertão, ao modo do romance de 30.
Eexaltação ufanista da natureza brasileira, com tom solene e grandiloquente.

Gabarito comentado

A prosa introspectiva de Clarice Lispector desloca o foco da ação para o mundo interior, usando o fluxo de consciência e a epifania. Nessas obras, objetos triviais funcionam como gatilhos de revelações existenciais, de modo que o enredo importa menos do que a investigação psicológica que a linguagem conduz instante a instante.

Resolução passo a passo

O enunciado define a prosa de Clarice pelo fluxo de consciência e pela epifania, instante em que um objeto banal provoca uma súbita revelação interior. No trecho, um simples ovo desencadeia a percepção da personagem de que talvez nunca tivesse visto nada nem a si mesma, exemplo claro desse momento epifânico. A segunda alternativa nomeia precisamente esse recurso e seu efeito. A primeira valoriza a ação externa, justamente o que a autora subordina ao mundo interior. A terceira nega o acesso à consciência, que é central no trecho. A quarta transporta a passagem para a denúncia social do romance de 30, contexto diverso. A quinta fala em ufanismo solene, ausente do tom introspectivo. Logo, o recurso predominante é a epifania a partir do banal.

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