LinguagensVariação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística)Difícil

Questão de Variação Linguística (Histórica, Social, Regional e Estilística) — ENEM

Um material didático apresenta dois trechos sobre o mesmo tema, a chuva. No primeiro, de um boletim meteorológico: 'Prevê-se a ocorrência de precipitações de moderada a forte intensidade no decorrer da tarde, com possibilidade de descargas elétricas e rajadas de vento.' No segundo, de um diálogo entre vizinhos: 'Ó, vem chuva grossa aí, viu? O céu tá fechado, fechado. Acho bom recolher a roupa do varal antes que desabe.' O professor pede que os alunos comparem os dois textos, observando que ambos comunicam com eficácia a mesma ideia, embora um seja técnico e impessoal e o outro, coloquial e afetivo. Nenhum dos dois é melhor em si: cada um se ajusta à sua situação de uso, ao seu público e ao seu objetivo. Considerando a comparação proposta, qual afirmação interpreta corretamente a relação entre os dois trechos?
AO primeiro trecho está correto e o segundo está errado, por usar linguagem coloquial.
BOs dois trechos representam registros distintos, cada um adequado à sua situação de uso.
CA diferença entre os trechos é apenas regional, pois pertencem a dois estados diferentes.
DO segundo trecho é inferior porque a fala sempre comunica pior do que a escrita técnica.
EOs dois trechos são idênticos em registro, mudando somente o assunto que abordam.

Gabarito comentado

Adequação é a palavra-chave da variação estilística: o registro formal e o informal não competem por 'correção', mas por pertinência ao contexto. Um boletim técnico e uma conversa de vizinhos cumprem objetivos diferentes. Avaliar um texto exige perguntar se a linguagem serve à situação, e não se obedece a um padrão único.

Resolução passo a passo

Os dois trechos tratam da chuva, mas um é técnico e impessoal, próprio de um boletim, enquanto o outro é coloquial e afetivo, típico de uma conversa entre vizinhos. Ambos comunicam a ideia com eficácia, cada um ajustado à sua situação, ao seu público e ao seu objetivo, o que ilustra registros distintos da variação estilística. Dizer que o segundo está errado por ser coloquial impõe um julgamento de prestígio que o próprio enunciado rejeita. A diferença não é regional, já que não há marcas de lugar opondo os textos, e sim de grau de formalidade. Afirmar que a fala comunica pior que a escrita ignora que cada modalidade tem seus contextos próprios de eficácia. Os trechos não são idênticos em registro, uma vez que um é formal e o outro informal. Logo, a leitura correta é a dos registros adequados a cada situação.

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