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Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial — ENEM

Um estudante publicou nas redes sociais um desabafo sobre o transporte público da sua cidade: 'Gente, tô passada! O busão de novo lotado e atrasado, ninguém merece pegar isso todo dia, né? Pelo amor, alguém faz alguma coisa, tá osso demais!' Tempo depois, ele decide enviar uma reclamação oficial à ouvidoria da prefeitura e precisa reescrever a mensagem em norma culta, mantendo o conteúdo, mas adequando o registro ao novo interlocutor e à situação formal. Ele quer um texto monitorado, sem gírias e sem marcas da oralidade, próprio de um documento institucional. Entre as opções a seguir, todas tentam reescrever o desabafo, mas apenas uma transpõe corretamente a mensagem para a norma culta sem perder o sentido original. Qual delas realiza adequadamente essa reescrita formal?
ASolicito providências quanto à superlotação e aos constantes atrasos dos ônibus, problemas que prejudicam diariamente os usuários do serviço.
BGalera, os ônibus estão sempre cheios e atrasados, e isso é muito ruim para todo mundo que usa.
CTô vindo aqui reclamar do busão que vive lotado e atrasado, porque ninguém merece, né, gente?
DOs ônibus estão um caos total, uma zona, e a prefeitura tem que se mexer logo com isso aí.
EVenho desabafar que tô passado com o transporte, que tá osso demais e ninguém faz nada.

Gabarito comentado

Transpor um texto para a norma culta significa preservar o conteúdo e trocar as marcas coloquiais — gírias, abreviações da fala, vocativos íntimos — por construções monitoradas e vocabulário preciso. Avaliar cada opção pela presença ou ausência dessas marcas é o caminho para identificar a reescrita adequada.

Resolução passo a passo

A reescrita formal deve eliminar gírias, vocativos íntimos e marcas da oralidade, substituindo-os por vocabulário preciso e construção monitorada, sem alterar o conteúdo. A primeira opção faz exatamente isso: usa o verbo 'solicito', nomeia os problemas com termos adequados ('superlotação', 'constantes atrasos', 'usuários do serviço') e mantém tom impessoal e institucional. A segunda mantém o vocativo coloquial 'galera' e tom informal. A terceira conserva 'tô', 'busão' e o apelo 'né, gente', típicos do registro coloquial. A quarta emprega expressões informais como 'caos total', 'uma zona' e 'se mexer', além de 'aí'. A quinta preserva 'tô passado', 'osso demais' e o tom de desabafo. Somente a primeira realiza a transposição correta para a norma culta, preservando o sentido do original.

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