Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Difícil

Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM

Pesquisadores da sociologia do trabalho analisam uma prática comum em fábricas que adotaram o modelo toyotista: as reuniões periódicas de kaizen, termo japonês que designa a melhoria contínua. Nesses encontros, pequenos grupos de trabalhadores são incentivados a identificar desperdícios no processo produtivo e a propor soluções, que são avaliadas pela gerência e, se aprovadas, implantadas no chão de fábrica. Críticos desse modelo apontam que, ao incorporar o trabalhador à lógica da eficiência, o kaizen transforma o próprio operário em agente do controle da produção, responsabilizando-o pelas metas que antes eram atribuídas à chefia. A adesão voluntária ao grupo torna-se, na prática, condição implícita de manutenção do emprego. Ricardo Antunes, sociólogo do trabalho, argumenta que essa captura da subjetividade do trabalhador pela empresa representa uma forma de exploração mais refinada do que a coerção aberta do taylorismo, pois mobiliza o engajamento e a criatividade do operário a serviço do capital. A partir do texto, a crítica de Antunes ao kaizen baseia-se no argumento de que:
AO kaizen devolve ao trabalhador o controle total sobre a produção, eliminando qualquer forma de exploração capitalista na fábrica toyotista.
BA participação nos grupos de melhoria eleva os salários dos trabalhadores acima dos patamares do fordismo, compensando a instabilidade dos vínculos empregatícios.
CO envolvimento do trabalhador nas decisões de eficiência constitui uma forma de exploração mais refinada, pois mobiliza subjetividade e criatividade a serviço dos objetivos da empresa, sob pressão implícita de manutenção do emprego.
DO kaizen representa uma conquista sindical que transferiu poder de gestão dos acionistas para as categorias de trabalhadores organizados na base da fábrica.
EA melhoria contínua promovida pelo kaizen reduziu a jornada de trabalho e a intensidade da produção, beneficiando os trabalhadores ao redistribuir os ganhos de produtividade.

Gabarito comentado

Ricardo Antunes argumenta que o toyotismo aperfeiçoa a exploração ao capturar a subjetividade do trabalhador: em vez de coagir o corpo pelo cronômetro, como no taylorismo, convida a mente e a criatividade do operário a resolver os problemas da empresa. Reconhecer essa distinção entre coerção aberta e captura subjetiva é essencial para analisar criticamente as novas formas de controle do trabalho no capitalismo contemporâneo.

Resolução passo a passo

O texto descreve o kaizen como uma prática que incorpora o trabalhador à lógica da eficiência, tornando-o agente do controle e responsabilizando-o por metas antes da chefia, sob pressão implícita de manutenção do emprego. Antunes critica exatamente isso: a mobilização da subjetividade e da criatividade do operário a serviço do capital como forma de exploração refinada. A alternativa correta, na terceira posição, reproduz esse argumento com precisão. A primeira contraria o texto, pois Antunes não vê no kaizen a eliminação da exploração, mas uma nova forma dela. A segunda não tem sustentação no texto, que não menciona elevação salarial acima do fordismo como efeito do kaizen. A quarta inverte a relação de poder descrita: no texto, a gerência avalia e aprova as sugestões, sem transferir poder de gestão para os trabalhadores. A quinta também contradiz o texto, que aponta a responsabilização do trabalhador pelas metas e a pressão implícita, o que indica intensificação, não redução, da carga. Por isso a terceira alternativa é a correta.

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