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Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

Publicado em 1938, 'Vidas Secas', de Graciliano Ramos, integra o romance regionalista da segunda geração modernista, que denunciava as desigualdades sociais do Brasil, sobretudo a miséria do sertão nordestino. A narrativa acompanha a família de Fabiano, retirantes que fogem da seca em busca de sobrevivência, em meio à fome, ao isolamento e à dificuldade de expressar sentimentos em palavras. A linguagem é seca e econômica, espelhando a aridez da paisagem e a condição dos personagens. Leia o trecho composto no estilo da obra: 'Fabiano olhava a caatinga amarela, o gado magro, a mulher calada. Queria falar, mas as palavras fugiam dele como o gado foge da seca. Restava o silêncio, duro, igual à terra rachada.' Considerando o contexto da obra e o trecho, a relação entre a forma da linguagem e o conteúdo narrado revela que:
Aa linguagem rebuscada e ornamental contrasta com a simplicidade dos personagens.
Ba secura e a economia da linguagem reforçam a aridez do sertão e a privação dos personagens.
Co tom alegre e festivo da narrativa ameniza o sofrimento causado pela seca.
Da abundância de diálogos longos demonstra a facilidade de comunicação de Fabiano.
Ea idealização romântica do sertão transforma a miséria em cenário pitoresco e ameno.

Gabarito comentado

No romance regionalista de 30, a forma serve à denúncia social: a linguagem enxuta de Graciliano Ramos reproduz a aridez do sertão e a impossibilidade de fala dos oprimidos. Perceber como estilo e tema dialogam é essencial para interpretar obras em que a secura da escrita é também secura de vida.

Resolução passo a passo

O contexto destaca que a linguagem de 'Vidas Secas' é seca e econômica, espelhando a aridez da paisagem e a condição dos retirantes. O trecho confirma isso ao mostrar Fabiano sem palavras, num cenário de caatinga amarela e terra rachada. A segunda alternativa articula corretamente forma e conteúdo: a contenção verbal traduz a privação material e a dificuldade de comunicação. A primeira fala em linguagem rebuscada, oposta ao estilo enxuto da obra. A terceira inventa um tom alegre inexistente no trecho. A quarta menciona diálogos longos, enquanto a personagem justamente não consegue falar. A quinta atribui ao texto uma idealização romântica do sertão, contrária à denúncia social realista que caracteriza o regionalismo de 30. Por isso, a forma reforça o conteúdo de privação.

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