Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Difícil

Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM

Uma pesquisa sobre o trabalho em plataformas digitais retrata a rotina de entregadores que recebem pedidos por meio de aplicativos de celular. Sem carteira assinada, eles são tratados como prestadores autônomos: não têm férias, décimo terceiro nem garantia de jornada, e a remuneração varia conforme o número de corridas e os algoritmos que distribuem as entregas. O trabalhador arca com o custo da bicicleta ou da moto, do combustível e da manutenção, ao passo que a empresa retém parte de cada corrida e controla, à distância, o ritmo e a avaliação do serviço. Esse arranjo, presente em muitas cidades, é descrito por pesquisadores como expressão da precarização e da chamada uberização do trabalho na sociedade contemporânea. A partir do texto, depreende-se que a uberização do trabalho caracteriza-se por:
ATransferir riscos e custos ao trabalhador e suprimir direitos trabalhistas sob a aparência de autonomia, mantendo o controle empresarial pelo aplicativo.
BAmpliar a proteção social do trabalhador, garantindo férias, décimo terceiro e jornada fixa por meio do aplicativo.
CEliminar qualquer controle da empresa sobre o trabalho, que passa a ser inteiramente decidido pelo próprio entregador.
DRestaurar o vínculo empregatício estável típico do período fordista, com carteira assinada e salário fixo.
EColetivizar os meios de produção, tornando os entregadores donos da plataforma e dos algoritmos.

Gabarito comentado

A uberização aprofunda a precarização ao classificar o trabalhador como autônomo, repassando-lhe custos e riscos e retirando direitos, ainda que a empresa controle o trabalho pelos algoritmos. Analisar criticamente esse arranjo é fundamental para compreender as novas formas de exploração no trabalho digital contemporâneo.

Resolução passo a passo

O texto mostra entregadores sem direitos trabalhistas, tratados como autônomos, que arcam com os custos do trabalho enquanto a empresa retém parte do ganho e controla o ritmo pelo aplicativo, o que define a uberização. A alternativa correta sintetiza a transferência de riscos e custos ao trabalhador e a supressão de direitos sob a aparência de autonomia, com controle pela plataforma. A segunda contraria o texto, que registra a ausência de férias, décimo terceiro e jornada garantida. A terceira é falsa, uma vez que a empresa mantém o controle à distância por meio dos algoritmos. A quarta inverte o sentido, já que a uberização rompe, e não restaura, o vínculo estável do fordismo. A quinta foge ao texto, que não trata de propriedade coletiva da plataforma. Por isso a primeira alternativa é a adequada.

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