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Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

Em 1928, Mário de Andrade publicou a rapsódia 'Macunaíma', cujo protagonista é apresentado como 'o herói sem nenhum caráter'. Nascido na floresta amazônica, Macunaíma percorre o Brasil misturando lendas indígenas, costumes populares e cenas da cidade grande de São Paulo, num enredo que reúne diferentes regiões e tempos do país. A obra incorpora provérbios, expressões regionais e elementos do folclore para construir uma figura que sintetiza, de forma crítica e bem-humorada, contradições da formação cultural brasileira. Considere o seguinte trecho composto no estilo da obra, em que o narrador descreve o herói: 'Macunaíma ria à toa, comia farto, dormia sem pressa; trabalhar é que não queria, pois preguiça era seu maior tesouro.' A partir dessas informações e do trecho, depreende-se que a personagem foi construída para representar:
Aum herói clássico, modelo de virtude, disciplina e coragem militar.
Buma síntese crítica e bem-humorada de contradições da cultura brasileira.
Cum santo religioso voltado à pregação moral e à conversão dos povos.
Dum cavaleiro medieval europeu em busca de honra e glória nas batalhas.
Eum cientista racional dedicado ao progresso técnico e industrial do país.

Gabarito comentado

Mário de Andrade construiu Macunaíma como uma rapsódia que mistura mitos indígenas, folclore e a vida urbana para discutir a identidade nacional. O 'herói sem caráter' não é elogio nem condenação simples: é uma figura ambígua que expõe contradições do brasileiro, combinando humor, crítica cultural e linguagem popular típicos da primeira geração modernista.

Resolução passo a passo

O contexto afirma que Macunaíma é 'o herói sem nenhum caráter' e que a obra sintetiza, de forma crítica e bem-humorada, contradições da cultura brasileira. O trecho reforça a malandragem e a preguiça da personagem, distantes de qualquer modelo de virtude. A segunda alternativa traduz fielmente essa leitura. A primeira o descreve como herói exemplar, contrariando o próprio rótulo de 'sem caráter'. A terceira o transforma em santo, e a quarta, em cavaleiro medieval, figuras alheias ao projeto nacional e popular da rapsódia. A quinta o associa ao progresso técnico, ao passo que a personagem rejeita o trabalho e a lógica produtiva. Por isso, a melhor leitura é a da síntese crítica da cultura brasileira.

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