Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Médio

Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM

Um relatório sobre a indústria automobilística japonesa dos anos 1980 descreve como as grandes montadoras passaram a concentrar apenas o projeto do veículo e a montagem final em suas instalações, repassando a fabricação de componentes — assentos, vidros, sistemas elétricos — a redes de empresas menores, chamadas de fornecedoras de primeira, segunda e terceira camada. Cada fornecedora entregava suas peças no momento exato em que seriam usadas na linha, sem que a montadora precisasse manter estoques intermediários. As empresas menores, sujeitas a contratos de prazo variável, contratavam trabalhadores em condições frequentemente mais precárias do que as da montadora principal. Pesquisadores da sociologia do trabalho apontam que esse arranjo da vida social produtiva transferia parte dos custos e dos riscos da produção para elos mais frágeis da cadeia, ao mesmo tempo que permitia à empresa central operar com grande enxutez e rapidez de resposta ao mercado. Com base no texto, a terceirização no toyotismo serve principalmente para:
AConcentrar toda a produção em uma única fábrica verticalizada, eliminando fornecedores externos.
BTransferir parte dos custos, dos riscos e das relações de trabalho precárias para empresas menores da cadeia produtiva, enquanto a montadora opera de forma enxuta.
CGarantir direitos trabalhistas iguais a todos os trabalhadores da cadeia, independentemente do porte da empresa contratante.
DSubstituir o just-in-time por grandes estoques centralizados, reduzindo a dependência dos fornecedores.
ERetomar o modelo fordista de produção em massa de componentes padronizados em instalações próprias.

Gabarito comentado

No toyotismo, a terceirização não é apenas uma escolha logística: ela distribui os riscos e a precarização do trabalho ao longo de uma cadeia hierárquica, mantendo a montadora principal enxuta e flexível. Compreender esse mecanismo ajuda a analisar como a flexibilidade produtiva pode aprofundar a desigualdade nas relações de trabalho da sociedade contemporânea.

Resolução passo a passo

O texto descreve a montadora repassando a fabricação de componentes a fornecedoras em condições precárias, operando sem estoques e com entrega just-in-time, o que define a lógica de terceirização no toyotismo. A alternativa correta, na segunda posição, resume a transferência de custos, riscos e precarização para os elos mais fracos da cadeia, enquanto a empresa central opera de forma enxuta. A primeira está errada, dado que o toyotismo se define exatamente pelo oposto — a descentralização por meio de fornecedores externos. A terceira é falsa, uma vez que o texto menciona condições mais precárias nas empresas menores, o que contradiz a ideia de igualdade de direitos ao longo da cadeia. A quarta inverte a lógica toyotista, que elimina estoques e depende do just-in-time, não o abandona. A quinta confunde o modelo, pois a produção verticalizada em instalações próprias é característica do fordismo, não do toyotismo. Por isso a segunda alternativa é a correta.

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