Ciências HumanasTrabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo)Médio

Questão de Trabalho e Produção (Taylorismo, Fordismo e Toyotismo) — ENEM

No filme Tempos Modernos, de 1936, Charlie Chaplin interpreta um operário que passa o dia apertando parafusos em uma esteira de montagem, repetindo o mesmo gesto em ritmo acelerado imposto pela máquina. Fora da fábrica, suas mãos continuam a executar involuntariamente o movimento de apertar, como se o corpo já não lhe pertencesse. A cena, que retrata a vida social do trabalhador industrial, ilustra de forma crítica uma situação em que o operário não controla o produto, não compreende o conjunto do processo e se vê reduzido a um gesto mecânico e repetitivo. Para o pensamento de Karl Marx, essa perda de domínio do trabalhador sobre sua própria atividade e sobre aquilo que produz exprime um conceito central de sua crítica ao trabalho industrial. O conceito marxista evidenciado pela cena é a:
AAlienação, perda de controle do trabalhador sobre o processo e o produto de seu próprio trabalho.
BMais-valia, parcela do valor produzido pelo trabalhador e apropriada pelo dono dos meios de produção.
CAcumulação primitiva, processo histórico de concentração inicial de capital e de terras.
DReificação total do capital financeiro nos mercados internacionais de crédito.
EMobilidade social, possibilidade de ascensão do operário a proprietário da fábrica.

Gabarito comentado

Para Marx, a alienação descreve a situação em que o trabalhador perde o controle sobre o processo e o produto de seu trabalho, tornando-se estranho à própria atividade. Associar esse conceito à crítica do trabalho industrial repetitivo ajuda a analisar as condições do operário moderno.

Resolução passo a passo

A cena mostra o operário reduzido a um gesto repetitivo, sem controle sobre o produto e sem compreender o conjunto do processo, o que corresponde ao conceito marxista de alienação. A alternativa correta define a alienação como essa perda de controle sobre a atividade e o produto. A mais-valia está errada, já que se refere à parcela de valor apropriada pelo capitalista, e não à perda de domínio sobre o trabalho descrita na cena. A acumulação primitiva trata da concentração inicial de capital, tema diverso do retratado. A reificação do capital financeiro foge ao que o filme ilustra, voltado ao chão de fábrica. A mobilidade social contraria o sentido da cena, que mostra um operário preso à repetição, e não em ascensão. Por isso a primeira alternativa é a adequada.

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