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Questão de Norma Culta vs. Linguagem Coloquial — ENEM

Durante uma entrevista de emprego para uma vaga em um banco, o recrutador pergunta ao candidato por que ele deseja a vaga. O candidato responde: 'Então, mano, eu tô muito a fim dessa vaga, sabe? Tipo, acho que rola um match com meu perfil, e eu tô precisando demais grana, aí seria show demais se vocês me chamassem, valeu!' O recrutador anota algo e segue a entrevista com expressão neutra. A situação é altamente monitorada: trata-se de um contexto profissional, com um interlocutor desconhecido em posição de avaliar o candidato, em uma instituição que preza pela seriedade. O candidato, ainda assim, manteve um registro de conversa entre amigos. Considerando a relação entre o registro empregado e a situação comunicativa, o que se pode concluir sobre a fala do candidato?
AA fala é adequada, porque a espontaneidade demonstra autenticidade e segurança em qualquer entrevista.
BA fala é inadequada, porque emprega registro coloquial em uma situação formal que exige norma culta e monitoramento.
CA fala é adequada, porque a entrevista é uma conversa informal entre duas pessoas.
DA fala é inadequada apenas por ser curta, e não pelo registro de linguagem utilizado.
EA fala é adequada, porque o uso de gírias aproxima o candidato do recrutador.

Gabarito comentado

Em contextos profissionais e avaliativos, como entrevistas de emprego, o grau de monitoramento é alto e a norma culta é esperada. Espontaneidade não substitui adequação: saber ajustar o registro à formalidade da situação faz parte da competência comunicativa que o falante precisa demonstrar.

Resolução passo a passo

Uma entrevista de emprego em um banco é uma situação formal e monitorada, com interlocutor desconhecido que avalia o candidato, o que exige a norma culta. A fala apresenta marcas nítidas do registro coloquial: vocativo íntimo ('mano'), gírias ('tô a fim', 'rola um match', 'show demais', 'grana', 'valeu') e tom de conversa entre amigos, inadequados ao contexto. Considerar a fala adequada por 'autenticidade' confunde espontaneidade com falta de adequação ao registro exigido. Tratar a entrevista como conversa informal ignora seu caráter avaliativo e profissional. Dizer que o defeito é apenas a brevidade desvia o foco do problema real, que é o registro. E afirmar que as gírias aproximam o candidato desconsidera que, nesse contexto, elas transmitem despreparo. Logo, a fala é inadequada pelo uso do registro coloquial em situação que pede norma culta.

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