LinguagensSemântica, Ambiguidade e IroniaDifícil

Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Um humorista contou no palco a seguinte piada: 'Outro dia perguntei ao meu primo onde ele trabalhava. Ele disse: num banco. Fiquei feliz, achei que ele tinha arrumado emprego numa agência. No dia seguinte fui visitá-lo e descobri: ele realmente trabalhava num banco, mas era o banco da praça, vendendo pipoca ali do lado.' A plateia gargalhou. O efeito cômico, explicou depois o próprio comediante, depende de uma única palavra que admite mais de um significado consolidado na língua: 'banco' pode designar tanto a instituição financeira quanto o assento comprido instalado em praças e jardins. O humorista conduz o ouvinte a pensar primeiro na instituição, para depois revelar que se tratava do assento, frustrando a expectativa criada. Todo o riso nasce dessa palavra que carrega, no próprio dicionário, sentidos distintos e independentes. Considerando o mecanismo da piada, o humor se apoia, sobretudo, na
Apolissemia da palavra 'banco', que possui significados distintos consolidados na língua.
Bambiguidade estrutural, decorrente da posição das palavras na organização das frases.
Cironia, decorrente da diferença entre o que o humorista diz e o que pensa de fato.
Dhipérbole, decorrente do exagero na descrição do trabalho exercido pelo primo.
Epersonificação, decorrente da atribuição de traços humanos ao assento da praça.

Gabarito comentado

A polissemia é a propriedade de uma mesma palavra apresentar vários sentidos relacionados ou consolidados na língua, registrados no dicionário. Muitas piadas exploram esse traço ao induzir o ouvinte a um significado e revelar outro, criando a quebra de expectativa que produz o humor. Ela está no léxico, não na sintaxe.

Resolução passo a passo

O riso da piada nasce de uma única palavra, 'banco', que carrega no próprio léxico sentidos distintos e já consolidados: a instituição financeira e o assento de praça. Essa pluralidade de significados estáveis numa mesma palavra define a polissemia, e é a troca de um sentido pelo outro que frustra a expectativa do ouvinte. A ambiguidade estrutural dependeria da organização sintática da frase, enquanto aqui o equívoco está numa palavra específica, não na ordem dos termos. A ironia exigiria oposição entre o dito e o pretendido, e o humorista não diz o contrário do que pensa. A hipérbole seria um exagero, ausente no relato. A personificação daria traços humanos ao assento, o que não ocorre. Logo, o humor se apoia na polissemia da palavra 'banco'.

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