Gabarito comentado
A ironia dissimulada é um dos recursos mais complexos e sofisticados de Machado de Assis. Ao fazer narradores que mentem com aparência de sinceridade, Machado convida o leitor a questionar cada afirmação e a enxergar por trás do texto os mecanismos de poder, hipocrisia e interesse da classe dominante do século XIX. Esse procedimento torna a leitura crítica indispensável e distingue Machado de seus contemporâneos realistas e naturalistas.
Resolução passo a passo
A análise da professora descreve narradores que apresentam o vício como virtude e a covardia como prudência, afirmando que o leitor desatento sairá enganado pela superfície. Isso define a ironia dissimulada como mecanismo de dupla camada: quem lê criticamente encontra a 'radiografia da classe dominante'; quem aceita o texto na superfície, não. Portanto, a ironia é o instrumento central da crítica social em Machado, funcionando pela desconfiança produtiva do leitor. Dizer que é apenas ornamento ignora sua função estrutural e crítica, explicitada pela própria análise apresentada no enunciado. Afirmar que ela aproxima emocionalmente o leitor do narrador contraria a distância crítica que a ironia estabelece — é exatamente o oposto do que o trecho descreve. Atribuir a ironia machadiana ao condoreirismo romântico confunde dois movimentos e duas estéticas radicalmente distintas: o condoreirismo é passional e grandiloquente, ao passo que Machado é frio e oblíquo. Dizer que a ironia neutraliza a crítica social contradiz diretamente o argumento apresentado, que vê na ironia o veículo da crítica mais eficaz.
Quer mais questões de Romantismo e Realismo/Naturalismo?
Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.