Ciências da NaturezaEcologia (Cadeias Alimentares, Ciclos Biogeoquímicos e Impactos Ambientais)Difícil

Questão de Ecologia (Cadeias Alimentares, Ciclos Biogeoquímicos e Impactos Ambientais) — ENEM

Em um clássico experimento de ecologia, o pesquisador Robert Paine removeu sistematicamente as estrelas-do-mar do gênero Pisaster de uma faixa de costão rochoso no litoral norte-americano. Antes da remoção, essa estrela-do-mar controlava as populações de mexilhões, impedindo que eles dominassem completamente o substrato. Após a retirada experimental do predador, os mexilhões se multiplicaram e ocuparam quase toda a superfície do costão, eliminando algas, cracas, percebes e diversas outras espécies que antes coexistiam naquele ambiente. A biodiversidade da área caiu drasticamente: de cerca de quinze espécies para apenas duas ou três. Paine cunhou o conceito de espécie-chave para descrever organismos cuja influência no ecossistema é desproporcional à sua abundância relativa, de modo que sua remoção provoca grandes mudanças estruturais na comunidade. A comunidade científica passou a usar esse experimento como referência para entender o papel regulador de certas espécies em ecossistemas costeiros e terrestres. Considerando os resultados do experimento, qual interpretação melhor explica o papel ecológico de uma espécie-chave?
AUma espécie-chave é sempre a mais abundante do ecossistema, cuja grande biomassa sustenta todos os demais organismos.
BUma espécie-chave é aquela que ocupa o primeiro nível trófico, fornecendo energia para toda a cadeia alimentar.
CUma espécie-chave mantém a diversidade do ecossistema de forma desproporcional à sua abundância, e sua remoção colapsa a estrutura da comunidade.
DUma espécie-chave é definida exclusivamente pela sua raridade, sendo sempre ameaçada de extinção independentemente do ambiente.
EUma espécie-chave equivale aos produtores do ecossistema, pois sem eles nenhum outro organismo consegue sobreviver.

Gabarito comentado

Uma espécie-chave é aquela cuja presença regula a estrutura e a diversidade de um ecossistema de forma desproporcional à sua biomassa ou abundância. Predadores de topo, engenheiros de ecossistemas e certas plantas polinizadoras podem ser espécies-chave. O conceito ressalta que perder uma única espécie pode causar colapso de toda uma comunidade, sendo central para estratégias de conservação da biodiversidade.

Resolução passo a passo

O experimento de Paine demonstrou que a estrela-do-mar Pisaster, presente em quantidade relativamente pequena, era responsável por manter a diversidade de quinze espécies no costão. Sua remoção colapsou a comunidade para duas ou três espécies. Isso ilustra que a influência de uma espécie-chave é desproporcional à sua abundância e que sua retirada reestrutura completamente a comunidade, o que corresponde à quinta alternativa. A afirmação de que espécie-chave é a mais abundante contradiz diretamente a definição de Paine, já que o conceito surgiu exatamente porque o Pisaster era moderadamente abundante, mas altamente influente. A ideia de que ocupa o primeiro nível trófico é incorreta, pois a estrela-do-mar é predadora, e não produtora. A definição pela raridade confunde espécie-chave com espécie ameaçada de extinção, conceitos distintos. A equivalência com produtores mistura dois conceitos diferentes da ecologia, dado que espécie-chave pode ser de qualquer nível trófico.

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