LinguagensModernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45)Difícil

Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

O poema dramático 'Morte e Vida Severina' (1955), de João Cabral de Melo Neto, é considerado uma das obras mais complexas da terceira geração modernista. O texto narra a migração do retirante Severino do sertão de Pernambuco até o Recife, usando redondilhas maiores — versos de sete sílabas — em referência à tradição da literatura de cordel nordestina. Ao mesmo tempo, a escolha dessa forma popular é submetida a um rigor construtivo que articula denúncia social e elaboração estética sofisticada. Leia os dois trechos a seguir. Trecho I: 'O meu nome é Severino, / não tenho outro de pia. / Como há muitos Severinos, / que é santo de romaria, / deram então de me chamar / pela vida que eu vivia.' Trecho II: 'E se somos Severinos / iguais em tudo na vida, / morremos de morte igual, / mesma morte severina.' Considerando a obra e os trechos, a estratégia estética de João Cabral ao usar a redondilha maior na representação do retirante consiste em:
Aaproximar a forma erudita europeia do tema, distanciando a obra da realidade nordestina.
Barticular uma forma de tradição popular nordestina ao rigor construtivo para dar voz à experiência do retirante com precisão estética.
Cabandonar qualquer rigor formal em favor de uma escrita espontânea e sentimental.
Dimitar o verso livre da primeira geração modernista sem qualquer diálogo com a tradição oral.
Eadotar a linguagem acadêmica e o vocabulário rebuscado típicos do Parnasianismo.

Gabarito comentado

Em 'Morte e Vida Severina', João Cabral usa a redondilha maior — verso do cordel — para aproximar a forma da experiência do retirante nordestino, sem abrir mão do rigor construtivo que marca sua poética. Essa dupla operação — popular e erudita ao mesmo tempo — transforma a denúncia social em arte sofisticada, mostrando que forma e conteúdo não se separam na terceira geração modernista.

Resolução passo a passo

O contexto apresenta duas dimensões coexistentes na obra: a referência ao cordel nordestino — forma popular — e o rigor construtivo sofisticado que a disciplina. Os trechos confirmam o uso da redondilha maior com rima regular, forma vinculada à oralidade do sertão, ao mesmo tempo em que expressam com precisão a condição coletiva dos retirantes. A segunda alternativa articula esses dois polos: tradição popular e rigor construtivo a serviço da representação do retirante. A primeira fala em forma erudita europeia que distancia a obra da realidade nordestina, quando ocorre o oposto. A terceira atribui escrita espontânea, contrária ao projeto consciente de João Cabral. A quarta o reduz ao verso livre da primeira geração, ignorando o diálogo com o cordel. A quinta associa a obra ao vocabulário parnasiano, oposto à fala direta e popular dos trechos. Portanto, a estratégia é articular forma popular e rigor construtivo.

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