Gabarito comentado
Em 'Morte e Vida Severina', João Cabral usa a redondilha maior — verso do cordel — para aproximar a forma da experiência do retirante nordestino, sem abrir mão do rigor construtivo que marca sua poética. Essa dupla operação — popular e erudita ao mesmo tempo — transforma a denúncia social em arte sofisticada, mostrando que forma e conteúdo não se separam na terceira geração modernista.
Resolução passo a passo
O contexto apresenta duas dimensões coexistentes na obra: a referência ao cordel nordestino — forma popular — e o rigor construtivo sofisticado que a disciplina. Os trechos confirmam o uso da redondilha maior com rima regular, forma vinculada à oralidade do sertão, ao mesmo tempo em que expressam com precisão a condição coletiva dos retirantes. A segunda alternativa articula esses dois polos: tradição popular e rigor construtivo a serviço da representação do retirante. A primeira fala em forma erudita europeia que distancia a obra da realidade nordestina, quando ocorre o oposto. A terceira atribui escrita espontânea, contrária ao projeto consciente de João Cabral. A quarta o reduz ao verso livre da primeira geração, ignorando o diálogo com o cordel. A quinta associa a obra ao vocabulário parnasiano, oposto à fala direta e popular dos trechos. Portanto, a estratégia é articular forma popular e rigor construtivo.
Quer mais questões de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45)?
Monte um simulado focado neste subtema e acompanhe sua evolução.