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Questão de Semântica, Ambiguidade e Ironia — ENEM

Um banco lançou uma campanha publicitária com o seguinte texto, em letras garrafais sobre a foto de uma família sorridente: 'Aqui, a sua conta nunca fica no vermelho.' Logo abaixo, em letra menor, lê-se: 'Conheça nossas soluções e tenha mais tranquilidade financeira.' O cartaz explora deliberadamente um jogo de sentidos. Por um lado, 'ficar no vermelho' é uma expressão consagrada que significa ter saldo negativo, estar endividado. Por outro, a cor vermelha aparece associada, no imaginário comum, ao perigo, ao prejuízo e ao sinal de alerta. A peça publicitária aposta no fato de que o leitor reconhece a expressão idiomática e, ao mesmo tempo, associa a cor a uma situação ruim, reforçando a promessa de segurança feita pelo banco. O sentido principal, contudo, não é o literal da cor, e sim o financeiro da dívida. Considerando o funcionamento da expressão destacada, o anúncio se vale principalmente de
Auma expressão idiomática de sentido conotativo, que indica estar com saldo negativo.
Buma personificação da conta bancária, tratada como um ser dotado de vontade própria.
Cum eufemismo que suaviza a palavra 'dívida' para não assustar o cliente.
Duma antítese entre a cor vermelha e a cor verde, citadas explicitamente no texto.
Euma metonímia em que a cor substitui o nome próprio da instituição financeira.

Gabarito comentado

Expressões idiomáticas têm sentido conotativo, ou seja, seu significado não resulta da soma literal das palavras, e sim de uma convenção cultural compartilhada pelos falantes. A publicidade explora esse sentido figurado para criar imagens fortes, exigindo do leitor o reconhecimento do uso consagrado da expressão.

Resolução passo a passo

A expressão 'ficar no vermelho' não é entendida ao pé da letra: ela significa, em sentido conotativo, estar com saldo negativo ou endividado, funcionando como uma expressão idiomática consagrada do português. É esse sentido figurado, somado à associação cultural da cor ao alerta, que dá força à promessa do banco. A personificação atribuiria vontade própria à conta, o que não estrutura o anúncio. O eufemismo suavizaria a palavra 'dívida', enquanto o texto na verdade afirma que a dívida não existirá, sem amenizar o termo. A antítese exigiria a oposição explícita entre vermelho e verde, e a peça menciona apenas o vermelho. A metonímia trocaria um termo por outro contíguo, como a cor pelo nome da instituição, relação que o anúncio não estabelece. Por isso, o recurso central é a expressão idiomática de sentido conotativo.

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