Ciências HumanasFilosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica)Médio
Questão de Filosofia Antiga (Mito vs. Logos, Pré-Socráticos e Filosofia Clássica) — ENEM
Em uma passagem que sintetiza o pensamento de Heráclito de Éfeso, lê-se que não é possível entrar duas vezes no mesmo rio, pois novas águas correm sempre sobre aquele que nele entra, de modo que tanto as águas quanto a pessoa já não são exatamente as mesmas. Para esse filósofo pré-socrático, a realidade não é estável: tudo flui, tudo se transforma continuamente, e os opostos, como guerra e paz ou dia e noite, fazem parte de um mesmo movimento incessante regido por uma razão universal, o logos. Essa visão influenciou a cultura filosófica posterior ao colocar a mudança, e não a permanência, no centro da explicação do mundo natural e da experiência humana. A imagem do rio que nunca é o mesmo expressa, de forma sintética, a tese central desse pensador. Qual ideia o trecho atribuído a Heráclito procura sustentar?
AQue o ser é imóvel e a mudança é apenas uma ilusão dos sentidos.
BQue tudo está em permanente devir, ou seja, em fluxo e transformação constantes.
CQue o conhecimento verdadeiro só é possível por meio da revelação divina.
DQue a matéria é composta por átomos indivisíveis que se movem no vazio.
EQue o homem é a medida de todas as coisas, conforme o relativismo.
Gabarito comentado
Heráclito é o filósofo do devir: para ele, a essência do mundo é a transformação contínua, expressa na imagem do rio que nunca é o mesmo. Essa posição se opõe diretamente à de Parmênides, que defendia a imobilidade do ser, e marca um dos grandes debates da filosofia pré-socrática.
Resolução passo a passo
A imagem do rio em que não se entra duas vezes ilustra a tese de Heráclito de que tudo se transforma sem cessar, ou seja, o devir como característica fundamental do real. A primeira opção descreve justamente a doutrina oposta, de Parmênides, para quem o ser é imóvel e a mudança, ilusória. A terceira fala em revelação divina, estranha ao pensamento de Heráclito, que recorre ao logos racional. A quarta resume o atomismo de Demócrito, outro pré-socrático. A quinta enuncia o relativismo de Protágoras, tese sofista e não heraclitiana. Por isso, a ideia sustentada pelo trecho é a do permanente devir.
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