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Questão de Modernismo Brasileiro (Gerações de 22, 30 e 45) — ENEM

Carlos Drummond de Andrade, um dos principais nomes da poesia da segunda geração modernista, é conhecido por unir o cotidiano à reflexão filosófica e social. Em muitos de seus poemas, o eu lírico expressa um sentimento de inadequação diante do mundo, ao mesmo tempo em que se mostra atento aos problemas coletivos de sua época. A linguagem mantém o verso livre herdado de 1922, mas ganha densidade temática e tom mais maduro. Leia o poema a seguir, composto no estilo do autor: 'Tenho apenas duas mãos / e o sentimento do mundo, / mas estou cheio de gente, / lembranças escorrem / pelas minhas veias. / Não serei o poeta de um mundo caduco. / Também não cantarei o mundo futuro.' Considerando o tom e os temas descritos, o eu lírico desse poema caracteriza-se por:
Aalienar-se dos problemas sociais e celebrar apenas a beleza abstrata da natureza.
Bassumir uma postura individualista que ignora a coletividade e o tempo presente.
Cconciliar a reflexão íntima com a consciência dos problemas coletivos do seu tempo.
Ddefender o retorno às formas fixas e à métrica regular do período parnasiano.
Eexaltar de modo ufanista as glórias militares e a grandeza territorial do país.

Gabarito comentado

A poesia de Drummond na geração de 30 amadurece o verso livre de 1922, somando-lhe densidade filosófica e social. O 'sentimento do mundo' nomeia a tensão entre o sujeito e a coletividade: o eu lírico não se isola, e sim se reconhece parte de um tempo histórico marcado por conflitos e responsabilidades partilhadas.

Resolução passo a passo

O enunciado descreve em Drummond a união entre o cotidiano e a reflexão social, com um eu lírico que sente inadequação diante do mundo e se mostra atento aos problemas coletivos. O poema reforça isso: o sujeito tem 'duas mãos e o sentimento do mundo' e está 'cheio de gente', sinalizando que o íntimo e o coletivo se entrelaçam. A terceira alternativa traduz essa conciliação. A primeira e a segunda erram ao isolar o eu lírico da coletividade, contrariando o 'sentimento do mundo'. A quarta atribui ao poeta o gosto pelas formas fixas, enquanto ele mantém o verso livre modernista. A quinta o aproxima do ufanismo militar, ausente no tom reflexivo do texto. Logo, a marca do eu lírico é unir reflexão íntima e consciência social.

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