Ciências HumanasImpério Brasileiro e a Questão AbolicionistaDifícil
Questão de Império Brasileiro e a Questão Abolicionista — ENEM
Com o fim do tráfico em 1850 e o avanço das leis abolicionistas, a elite cafeeira do oeste paulista passou a buscar alternativas à mão de obra escrava. A solução adotada foi o incentivo à imigração de trabalhadores europeus, sobretudo italianos, financiada em parte pelo Estado e pelos próprios fazendeiros. Em um trecho representativo do pensamento da época, um defensor da política imigratória afirmava que era preciso 'povoar o país com braços livres e laboriosos, capazes de substituir o trabalho cativo e de branquear a população'. A frase revela que a opção pelo imigrante europeu não respondia apenas a necessidades econômicas, mas se articulava também a ideias racistas então em voga, que viam na vinda de brancos um projeto de transformação da composição da população brasileira. Depreende-se do documento que a política imigratória combinava qual conjunto de motivações?
AApenas a busca por mão de obra mais barata, sem qualquer dimensão ideológica ou racial.
BA substituição do trabalho escravo por trabalhadores livres aliada a um projeto de branqueamento da população.
CO desejo de manter a escravidão indefinidamente, recusando qualquer trabalho livre.
DA intenção de garantir terras e cidadania plena imediata aos antigos escravizados libertos.
EA defesa da imigração asiática como única forma de povoar as lavouras de café.
Gabarito comentado
A política imigratória do final do Império uniu a necessidade de mão de obra livre para o café a um projeto de branqueamento da população, expressão do racismo científico do século XIX. Perceber essa articulação permite analisar criticamente como a transição para o trabalho livre excluiu os libertos e moldou desigualdades duradouras.
Resolução passo a passo
O trecho citado articula duas motivações: substituir o trabalho cativo por braços livres e branquear a população, ideia ligada ao racismo científico então difundido. A segunda alternativa reúne com precisão essas duas dimensões, econômica e ideológica. A primeira é falsa, pois o próprio documento explicita o projeto de branqueamento, negando a ausência de dimensão racial. A terceira contraria o texto, que descreve justamente a busca por trabalho livre. A quarta inverte a realidade histórica, já que os libertos não receberam terras nem cidadania plena. A quinta é incorreta, uma vez que a política privilegiava imigrantes europeus, não asiáticos. Portanto, a alternativa correta é a segunda, que articula economia e ideologia racial.
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